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A realização do réveillon gospel no Maracanã, financiado com R$ 7 milhões de recursos públicos com inexigibilidade de licitação, expõe uma engrenagem política que ultrapassa o campo cultural e religioso. A matéria analisa como o Estado do Rio de Janeiro destinou verba pública a uma entidade privada ligada a uma liderança religiosa, sem transparência proporcional ao investimento e sem ampla cobertura jornalística do evento. Dados oficiais, registros administrativos e a ausência de informações verificáveis sobre público e execução levantam questionamentos sobre laicidade do Estado, uso eleitoral da fé e alianças políticas no contexto pré-eleitoral de 2026. O episódio é tratado como sintoma de um modelo de gestão pública que mistura poder religioso, orçamento estatal e conveniência política, com impactos diretos sobre a democracia e o controle social dos gastos públicos.

A reação de Zezé Di Camargo à presença do presidente Lula na inauguração do SBT News trouxe um debate recorrente no Brasil: o papel das emissoras de televisão na relação com o poder político. Ao criticar publicamente a decisão da família Abravanel, o cantor reacendeu discussões sobre o legado de Silvio Santos, que ao longo de décadas manteve diálogo institucional com presidentes de diferentes espectros ideológicos, priorizando a sobrevivência e a relevância de sua emissora no cenário nacional.

O episódio expõe não apenas divergências políticas individuais, mas também um embate simbólico entre memória, tradição empresarial, liberdade editorial e expectativas do público em um país marcado pela polarização. A presença de Lula no SBT, longe de representar uma ruptura, segue uma lógica histórica da emissora, que sempre transitou entre governos, regimes e conjunturas para se manter como uma das principais vozes da televisão brasileira.

A renúncia ocorre enquanto Carla Zambelli permanece fora do país. Em julho deste ano, a parlamentar foi presa na Itália, onde se encontra desde que deixou o Brasil alegando buscar asilo político. Detentora de dupla cidadania, ela foi condenada pelo STF a dez anos de prisão pela invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça, crime ocorrido em 2023 e considerado grave por envolver ataque direto à estrutura do Judiciário.