A Rio Nature & Climate Week transforma a cidade em palco de uma conversa que o Sul Global precisa liderar: como integrar clima, natureza e desenvolvimento sem repetir os erros do Norte

Por Maria Antônia Perez

Em 1992, o Rio de Janeiro recebeu o mundo para falar sobre o futuro do planeta. A Rio-92 produziu acordos que moldaram décadas de política ambiental global. Trinta e quatro anos depois, a cidade volta a se colocar no centro dessa conversa — desta vez com um protagonismo ainda mais explícito e uma urgência que os dados climáticos não deixam mais ignorar.

“A Rio Nature & Climate Week nasce com a ambição de fortalecer o protagonismo do Sul Global e abrir mais espaço para vozes que, embora estejam na linha de frente das soluções e dos impactos, ainda seguem sub-representadas nos grandes debates internacionais sobre clima e natureza”,

Rodrigo Medeiros, presidente do Instituto Natureza e Clima Brasil e Senior Brazil Lead da Re:wild

A Rio Nature & Climate Week, que acontece de 1 a 6 de junho de 2026, nasce com uma ambição clara: tornar-se a principal plataforma para amplificar as vozes dos países do Sul Global na agenda climática internacional. Assim como Londres e Nova York sediam suas semanas climáticas anuais, o Rio entra nesse calendário com uma perspectiva diferenciada — a de quem vive na linha de frente dos impactos e nas fronteiras das soluções.

Os números que justificam essa urgência são conhecidos, mas nunca deixam de impressionar. Segundo o IPCC, os países em desenvolvimento — que contribuíram historicamente com a menor parte das emissões globais de CO₂ — são os que mais sofrerão com as consequências das mudanças climáticas: aumento de eventos extremos, perda de biodiversidade, insegurança hídrica e alimentar. O Brasil, com a maior floresta tropical do mundo e a maior reserva de água doce superficial do planeta, ocupa uma posição singular nessa equação.

A programação da Conferência Principal acontecerá no Píer Mauá, na Região Portuária, e reunirá nomes como o ex-primeiro ministro português José Manuel Durão Barroso, o presidente do BID Ilan Goldfajn, o cientista Carlos Nobre e a ativista indígena equatoriana Helena Gualinga — vozes que representam exatamente a diversidade de perspectivas que o debate climático precisa.

Uma das iniciativas mais simbólicas da semana é o edital RNCW Grassroots, voltado para organizações sociais de base que queiram realizar ativações em seus territórios durante o evento. É a reconhecimento de que a solução climática não começa em salas de conferência — começa nas comunidades que já vivem a transição todos os dias. A cidade que inventou o carnaval e seduziu o mundo com sua beleza exuberante agora quer ser lembrada também como o lugar onde o Sul Global encontrou sua voz climática.

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