Imagem: www.pixabay.com
A frase que dá título a este artigo foi dita há alguns anos por um educador durante um bate-papo informal e já serviu de mote para outro artigo publicado aqui há um tempo. Resolvi voltar ao assunto porque, toda vez que testemunho ou ouço falar de casos que relatei no artigo anterior (“Filhinhos intocáveis e insuportáveis”), fico imaginando por que muitos pais têm receio ou até remorso de frustrar os rompantes e estripulias dos filhos enquanto outros o fazem com naturalidade e sabedoria, pois sabem que, de fato, educar é estabelecer limites, advertir, chamar atenção, entre outras medidas.
A atriz Carolina Dieckmann, em entrevista concedida ao programa de TV “Que história é essa, Porchat?” (GNT), contou que, quando tinha cerca de 10 anos, inventou de viver uma aventura. Convenceu, então, uma colega de colégio a fugir durante o recreio. Foram para um canto escondido do pátio, pularam a parte mais baixa do muro e se aventuraram pelo bairro de Botafogo, Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro. Quando passaram a roleta do metrô, a colega de Carolina começou a chorar. Um psicólogo que esperava transporte para o centro da cidade notou que as duas estavam sozinhas e aprontando. Levou-as, então, para o consultório e telefonou para o pai da Carolina, que chegou em três tempos e levou as duas de volta para o colégio debaixo de duras reprimendas.
O castigo que os pais de Carolina Dieckmann lhe deram foi o seguinte: um ano sem ir a festas. Ela não participou das festas promovidas pelo colégio (festa junina, festa da primavera, festa do Dia das Mães e do Dia dos Pais…), não foi a festas de aniversário de parentes e amigos e provavelmente nem teve festa de aniversário. No entanto, tem um carinho e um respeito profundo pelo pai, que lhe impôs um limite para que ela aprendesse a ter limites.
Situação semelhante passou a cantora Jojô Toddynho, de quem não sou fã por questões tanto musicais como ideológicas. A estória, contudo, é muito boa e é isso que vale. Cria do bairro de Bangu, Zona Norte carioca, Jojô contou, num breve programa que a jornalista Fátima Bernardes teve no canal GNT, que havia, na rua em que morava, um garoto que nunca dava festas de aniversário. No dia do aniversário dela, Jojô notou que o menino estava brincando no quinta com as demais crianças que haviam sido convidadas. O que ela fez? Mandou ele embora. Só que o pai dela viu e a colocou de castigo no quarto. Ela só saiu na hora de cantar os parabéns. Antes disso, ela ficou da janela, vendo as demais crianças se divertindo na festa dela.
Depois de tudo terminado, o pai lhe disse: “Filha, eu e sua mãe somos as pessoas que mais te amamos. Justamente por isso, temos de te educar. Aquele menino não tem culpa se a família não faz festa de aniversário para ele e você não pode tratar outra criança assim”. Quem assistiu ao programa decerto percebeu o carinho com que ela se refere ao pai e do tanto da saudade que ela deixou transparecer, já que ele morreu cedo.
Conheço outras boas estórias a esse respeito, mas contarei outra hora. Afinal, este tema é bom de visitar de vez em quando.
Marcelo Teixeira
