Por Laura de Souza Rappi

O Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), iniciou nesta semana um programa permanente de treinamento em Prostatectomia Radical Anterógrada Aberta (AORP), técnica cirúrgica utilizada para a retirada total da próstata em pacientes com câncer. O método, desenvolvido e aperfeiçoado ao longo de mais de uma década dentro da própria universidade, representa uma alternativa eficaz e significativamente mais acessível do que a cirurgia robótica atualmente utilizada em centros de alta tecnologia.

O programa será oferecido inicialmente aos 12 médicos residentes do serviço de Urologia do HUPE e integra formação teórica estruturada com treinamento prático supervisionado. As atividades ocorrerão semanalmente, às quintas-feiras, dentro da rotina cirúrgica do hospital, que é referência em ensino e assistência médica no estado do Rio de Janeiro.

A técnica AORP consiste em realizar a cirurgia aberta seguindo os mesmos princípios anatômicos e funcionais da cirurgia robótica, considerada hoje um dos métodos mais modernos para o tratamento do câncer de próstata. A diferença está na forma de execução. Enquanto o procedimento robótico depende de equipamentos de alto custo, manutenção especializada e insumos importados, a técnica aberta utiliza instrumentos convencionais e apresenta custo médio equivalente a apenas cerca de dez por cento do valor da cirurgia robótica.

Essa diferença financeira tem impacto direto no Sistema Único de Saúde (SUS), que atende a maior parte dos pacientes com câncer no Brasil. Ao eliminar a dependência de tecnologia robótica, o método permite que hospitais públicos e instituições com menos recursos possam oferecer tratamento cirúrgico de alta qualidade, reduzindo desigualdades históricas no acesso à saúde especializada.

De acordo com o urologista e pesquisador Fabrício Carrerette, responsável pela coordenação do curso, o programa tem caráter estratégico e busca ampliar o alcance da técnica em todo o país.

Divulgação

“Estamos formando multiplicadores. Nossos residentes vêm de várias regiões do Brasil e, ao retornarem aos seus estados, levam uma técnica reprodutível, eficaz e economicamente sustentável”, afirmou o médico.

A AORP foi desenvolvida com base em estudos clínicos e validação científica rigorosa, com foco em dois objetivos centrais no tratamento do câncer de próstata: o controle oncológico da doença e a preservação funcional do paciente, especialmente no que diz respeito à continência urinária e à função sexual, fatores determinantes para a qualidade de vida após a cirurgia.

O câncer de próstata é o tipo mais comum entre homens brasileiros, excluindo os tumores de pele não melanoma. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registra mais de 70 mil novos casos por ano. O acesso a tratamento cirúrgico eficaz e oportuno é um dos principais fatores para aumentar as taxas de cura e reduzir complicações.

A criação de um programa permanente de treinamento dentro de uma universidade pública representa um passo importante na difusão do conhecimento cirúrgico e na qualificação de novos especialistas. A UERJ informou que, em uma próxima etapa, o curso também será disponibilizado a ex-residentes e profissionais que atuam em outras regiões do país, ampliando a rede de formação e fortalecendo a capacidade de atendimento do SUS.

A iniciativa reforça o papel do Hospital Universitário Pedro Ernesto como centro de formação médica e inovação em cirurgia oncológica, consolidando uma alternativa nacional baseada em ciência, acessibilidade e sustentabilidade para o tratamento do câncer de próstata.

Fabrício Carrerette – Divulgação

Serviço

Local: Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE/UERJ)
Endereço: Boulevard 28 de Setembro, 77, Vila Isabel, Rio de Janeiro
Curso gratuito, vinculado ao Sistema Único de Saúde (SUS)
Público-alvo: residentes do serviço de Urologia da UERJ

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