A atriz e produtora Luana Piovani, em recente entrevista concedida a um podcast do jornal “O Globo”, declarou, em alto e bom som: “O evangélico de hoje é o que há de pior no ser humano. Virou o protótipo de um ser desprezível. Virou uma indústria política”.

Boa parte da comunidade evangélica se sentiu ofendida. Tanto que a atriz foi denunciada por um vereador junto ao Ministério Público. Ele alega que as falas foram ofensivas e se enquadram como intolerância religiosa. O assunto tem rendido boa polêmica nas redes sociais.

Embora nem sempre concorde com Luana, desta vez estou com ela. Lamento se irei irritar algum evangélico, mas ela está coberta de razão.

Sei que nem todos os evangélicos se enquadram na contundente afirmação. No entanto, como ela bem observou, para efeitos estatísticos, acabamos colocando toda a comunidade evangélica no mesmo balaio.

Por que Luana tem razão? Porque muitos evangélicos fazem um estardalhaço enorme, querem converter os outros na marra, atacam profitentes de outras religiões e resolveram, inclusive, incorporar o discurso de ódio da extrema direita às suas práticas. Quem anda de ônibus ou metrô que o diga.

Como exemplo, começo citando os vários templos de religiões de matriz africana que têm sido atacados por grupos de evangélicos. Para eles, tais manifestações religiosas têm a ver com Satanás, um ser que eles citam com irritante frequência. Mal sabem eles que uma figura personificando o mal não existe na umbanda e no candomblé. Isso é invenção cristã, que é elevada à milésima potência na boca dos fanáticos de Bíblia em punho.

Navegando pelas redes sociais, deparo com situações constrangedoras. Entre elas, uma moça que foi xingada em praça pública por um casal de evangélicos só porque estava com roupa de ginástica (ela estava indo malhar). Chamaram a moça de possuída, perdida, disseram que ela tinha de se converter para se livrar do pecado etc. A jovem não gostou, revidou e partiu para a agressão. Outro exemplo recente que me chocou foi o seguinte: um grupo de crentes pregava na rua, na Sexta-feira Santa, quando uma procissão passou. Para quê? O pastor, que já berrava de microfone em punho, aumentou o tom de voz e disparou uma série de impropérios aos católicos, que passavam na santa paz de sua fé. Além destes, minha cunhada contou que evangélicos conhecidos dela não estão assistindo à novela “A nobreza do amor” devido aos rituais religiosos de matriz africana que têm sido apresentados, principalmente pela personagem da atriz Zezé Motta. Preconceito total.

O que mais me chocou, todavia – soube recentemente –, foi o aluguel de uma linda e espaçosa casa situada no bairro onde moro, em Petrópolis (RJ). A proprietária, por não estar conseguindo vender o imóvel, resolveu alugá-lo e o fez para uma família de evangélicos. A residência possui um jardim em que estão várias estátuas de anões semelhantes aos personagens do filme “Branca de Neve e os sete anões”, da Disney. Aliás, tais estátuas decoram aquele jardim desde que me entendo por gente. O que os evangélicos fizeram? Quebraram as estátuas com um martelo, pasmem vocês! Em suma, destruíram algo que não lhes pertence, já que alugaram a casa. Não tinham o direito de fazer o que fizeram, mas decerto julgaram que tinha algo a ver com Satanás e deram cabo dos anões. A proprietária não gostou, colocou os crentes para correr e alugou a residência para outra pessoa.

Não conheço os demais desdobramentos do caso, mas espero que eles respondam na justiça por dano ao patrimônio. É o mínimo a ser feito.

Luana, você tem razão. Muitos evangélicos se transformaram em protótipos de seres desprezíveis.

Marcelo Teixeira

Compartilhar.
Deixe Uma Resposta

Português do Brasil
Exit mobile version