NA DISPUTA! — Por Manu Cárvalho

Foto: volleyballworld/Divulgação

O resultado marcou a quarta medalha de prata do Brasil na competição (2019, 2021, 2022 e agora em 2025). Mais uma vez, o time de José Roberto Guimarães ficou muito próximo do título, mas não conseguiu manter o ritmo diante de uma adversária que vive fase absolutamente dominante no cenário mundial.

Começo intenso e equilibrado

A seleção brasileira entrou em quadra com o espírito certo: determinada, focada e com excelente volume de jogo. O primeiro set foi exemplo disso. Lideradas por Gabi Guimarães e Júlia Bergmann, as brasileiras venceram por 25 a 22, com saques bem colocados, contra-ataques certeiros e um bloqueio afiado.

A arquibancada, majoritariamente polonesa, também se rendeu ao entusiasmo do time verde-amarelo. Mas o cenário começou a mudar a partir do segundo set.

A reação italiana

A partir do segundo set, a Itália passou a ditar o ritmo da partida. Com destaque para Paola Egonu, Myriam Sylla e Ekaterina Antropova, o time comandado por Davide Mazzanti equilibrou as ações, virou a chave emocional e impôs um volume de jogo devastador.

As italianas venceram o segundo set com autoridade: 25 a 18, demonstrando eficiência nos saques e aproveitando os erros não forçados da equipe brasileira — especialmente no passe e na transição para o ataque.

O terceiro set foi mais equilibrado, mas o domínio emocional já era italiano. Mesmo com as tentativas de reação brasileira, a Itália manteve o controle e venceu por 25 a 22, repetindo o placar no quarto e último set.

Destaques e estatísticas

A maior pontuadora do Brasil foi Gabi, com 15 pontos, seguida por Rosamaria, com 12. Do lado italiano, Antropova, que começou no banco, foi a arma secreta da virada, anotando 18 pontos e desequilibrando o confronto em momentos decisivos.

O Brasil teve mais erros de ataque (23 ao todo) e sofreu mais que o normal na virada de bola. O saque, que funcionou bem no início, perdeu força ao longo do jogo, e o bloqueio não conseguiu conter o ímpeto das italianas, principalmente nos momentos em que Egonu assumiu o protagonismo.

Um vice com sabor de crescimento

Apesar do gosto amargo da derrota, o Brasil fecha a VNL 2025 com uma campanha sólida e consistente. A seleção, que vive um processo de renovação e reestruturação rumo aos Jogos Olímpicos, mostrou força coletiva, diversidade no elenco e momentos de alto nível técnico.

Essa foi a melhor campanha da equipe desde 2022, e a união demonstrada dentro e fora de quadra é um sinal claro de que o time está evoluindo. Além disso, a base formada por Gabi, Carol, Júlia Bergmann, Kisy e Nyeme promete um ciclo olímpico competitivo.

A força do vôlei feminino brasileiro

Ao final da partida, as jogadoras se abraçaram no centro da quadra, muitas com lágrimas nos olhos, mas também com semblantes de orgulho. O técnico Zé Roberto, emocionado, reforçou que o grupo está no caminho certo:

“Fico triste pela derrota, mas muito orgulhoso da entrega e da jornada que essas meninas fizeram. Esse time tem alma, tem coragem. Vamos seguir em frente. Paris nos espera”, afirmou o treinador.

O que vem pela frente?

O próximo grande desafio da seleção será a preparação para o Campeonato Sul-Americano, seguido pela reta final da preparação para os Jogos Olímpicos de Paris 2024. A Liga das Nações cumpriu seu papel como laboratório competitivo e confirmou que o Brasil ainda é um dos times a serem batidos no vôlei mundial.

A Itália, por sua vez, conquistou o tricampeonato da VNL com uma campanha quase perfeita e segue como uma das favoritas para o ouro olímpico. Mas, se depender da garra brasileira, o jogo ainda está longe de acabar.

O Brasil não levou o ouro, mas mostrou que continua sendo gigante. Porque no vôlei — como na vida — perder também é um passo para vencer.

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