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A diplomacia cultural não se restringe apenas a instrumentos tradicionais – como intercâmbios acadêmicos, museus, artes visuais ou relações diplomáticas formais –, mas passa a operar com potência expressiva dentro do campo da cultura pop e do entretenimento global. A economia criativa emerge então como um motor central desse processo, pois converte símbolos culturais em produtos, experiências e narrativas capazes de gerar valor econômico, engajamento internacional e percepção positiva de uma nação. Música, audiovisual, moda, design, storytelling e mídias digitais se tornam meios de circulação simbólica que influenciam como países são percebidos e desejados no cenário global.

A reação de Zezé Di Camargo à presença do presidente Lula na inauguração do SBT News trouxe um debate recorrente no Brasil: o papel das emissoras de televisão na relação com o poder político. Ao criticar publicamente a decisão da família Abravanel, o cantor reacendeu discussões sobre o legado de Silvio Santos, que ao longo de décadas manteve diálogo institucional com presidentes de diferentes espectros ideológicos, priorizando a sobrevivência e a relevância de sua emissora no cenário nacional.

O episódio expõe não apenas divergências políticas individuais, mas também um embate simbólico entre memória, tradição empresarial, liberdade editorial e expectativas do público em um país marcado pela polarização. A presença de Lula no SBT, longe de representar uma ruptura, segue uma lógica histórica da emissora, que sempre transitou entre governos, regimes e conjunturas para se manter como uma das principais vozes da televisão brasileira.

A renúncia ocorre enquanto Carla Zambelli permanece fora do país. Em julho deste ano, a parlamentar foi presa na Itália, onde se encontra desde que deixou o Brasil alegando buscar asilo político. Detentora de dupla cidadania, ela foi condenada pelo STF a dez anos de prisão pela invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça, crime ocorrido em 2023 e considerado grave por envolver ataque direto à estrutura do Judiciário.