O Brasil inicia 2026 com o clima institucional mais carregado desde 2014. A cada quatro anos o país revisita seus fantasmas políticos, mas desta vez as tensões se acumulam sobre uma base social exausta (alta inflação recente, crédito caro, renda comprimida e confiança frágil).
A eleição presidencial se transforma não apenas em disputa de projetos, mas em um referendo emocional sobre dois modelos de país — e o impacto dessa disputa chega, inevitavelmente, ao bolso.

Um ambiente de acusação permanente (e como isso distorce a percepção econômica)

As primeiras semanas do ano mostram que o debate público se organiza menos em torno de ideias e mais em torno de narrativas (acusações cruzadas, suspeitas de corrupção, promessas irreais e revisionismos de ambos os lados).
Esse fenômeno cria um efeito psicológico poderoso: o eleitor consome menos fatos e mais versões, e o mercado reage não ao dado, mas ao discurso.

O resultado é um ambiente econômico hiper-reativo:

  • empresas suspendem planos de expansão (esperando previsibilidade regulatória),
  • consumidores adiam compras relevantes (por receio de endividamento em um ano instável),
  • investidores ajustam carteiras com maior frequência (buscando liquidez em tempos de ruído).

A economia real passa a oscilar ao ritmo da retórica política.

A dualidade ideológica como vetor econômico

Esquerda e direita chegam a 2026 com projetos antagônicos sobre gasto público, papel do Estado e arranjo fiscal.
Essa dupla leitura impacta diretamente:

  • o comportamento da taxa de câmbio (que responde a sinalizações de risco),
  • as projeções de juros (que sobem ou caem conforme expectativas de responsabilidade fiscal),
  • o humor da indústria e do varejo (que dependem de horizonte claro para planejar preços e estoques).

O Brasil se encontra em uma situação paradoxal: a economia melhora em alguns indicadores (inflação mais cadenciada, saldo da balança comercial robusto), mas a sensação de instabilidade cresce (efeito típico de anos em que a disputa política se sobrepõe à técnica).

A Copa do Mundo adiciona euforia, mas não reduz incertezas

O calendário esportivo funciona como uma válvula emocional para o país.
Durante a Copa, há aumento temporário no consumo, no turismo interno e na publicidade (movimentos sazonais). No entanto, do ponto de vista macroeconômico, o torneio não anula os efeitos da disputa eleitoral (mantém o brasileiro dividido entre o desejo de comemorar e a preocupação com o futuro próximo).

A euforia é coletiva, mas a prudência permanece individual.

Confiança fragilizada: o indicador que conta a história

Mesmo com as pressões inflacionárias mais moderadas, o brasileiro chega a 2026 mais cauteloso.
O desemprego caiu, mas o poder de compra ainda não se recuperou totalmente (efeito da renda corroída nos últimos ciclos).
Juros permanecem altos para o consumidor comum, especialmente em linhas como financiamento de veículos, crédito pessoal e faturas de cartão (esses componentes mantêm a sensação de aperto, mesmo que a Selic recue).

No campo dos investimentos, o posicionamento típico para anos eleitorais se repete: preferência por liquidez, exposição gradual a risco e movimentos defensivos.

A lógica é simples: quando a política vira imprevisível, a economia perde fluidez.

E onde ficam os grandes projetos das famílias?

Compra de imóvel, troca de veículo, reformas e abertura de pequenos negócios exigem previsibilidade — exatamente o que 2026 entrega em doses limitadas.


Com o ambiente político interferindo diretamente no humor econômico, muitas famílias adiam decisões ou buscam alternativas que permitam mais controle sobre prazos e custos. (Nesse contexto, mecanismos de compra programada, como o consórcio, ganham visibilidade não por serem imunes ao cenário, mas por operarem com uma lógica menos sensível às variações de curto prazo. A ausência de juros de financiamento e a cadência das contribuições tornam esse tipo de ferramenta mais previsível do que linhas tradicionais de crédito.)

Trata-se menos de oportunidade e mais de estrutura: ele funciona exatamente da mesma forma em anos tranquilos ou turbulentos, o que o torna uma opção de planejamento para quem deseja ritmo e não pressa.

O consórcio não deve ser visto como solução milagrosa, mas como um mecanismo que não sofre interferências diretas de debates eleitorais.

O que esperar dos próximos meses

A economia brasileira deve conviver com três camadas simultâneas:

  1. volatilidade política intensa (desconfiança entre grupos, guerra narrativa e disputa nas redes);
  2. cautela econômica estrutural (famílias revisando orçamento, empresas postergando investimentos);
  3. euforia episódica com a Copa (que alivia o humor, mas não redefine o cenário).

Será um ano de atenção redobrada, decisões graduais e forte influência emocional sobre indicadores de consumo.
Quem planeja, reduz dano.
Quem se move por impulsos eleitorais, amplia riscos.

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Eduardo Mello é educador financeiro e especialista em consórcios. Atua há mais de 30 anos na área de ensino, como professor e coordenador de cursos de graduação e pós- graduação. É também jornalista, com 7 anos de experiência na TV Globo, publicitário e gestor de empresas certificado com as credenciais PgMP (Program Management Professional) e PMI- RMP (Risk Management Professional), ambas concedidas pelo Project Management Institute (PMI). Além disso, Eduardo participou por 8 anos de projetos em parceria com o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e o CIAT (Centro Interamericano de Administrações Tributárias), atuando junto às Secretarias de Fazenda do Brasil, México, Argentina, República Dominicana, Chile e Panamá. Com uma linguagem acessível e foco em soluções práticas, ele já ajudou milhares de brasileiros a entenderem melhor como planejar suas finanças e conquistarem seus objetivos de vida. Na Ademicon, Eduardo atua na linha de frente da Unidade Jacarepaguá que leva conhecimento, orientação e inspiração para quem deseja transformar sua relação com o dinheiro.

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