Com Jaafar Jackson no papel principal, filme emociona, impressiona nas performances musicais e celebra o legado imortal de Michael Jackson.

Michael estreou no fim de abril é a cinebiografia musical de maior bilheteria da história do cinema e desbancou Bohemian Rapsody. Os números não mentem. Segundo a Rolling Stone: arrecadou US$ 363,503,053 em bilheteria doméstica, ou seja, nos Estados Unidos, e US$ 571,163,000 internacionalmente, somando US$ 934,666,053. Para chegar US$ 1 bilhão, Michael ainda precisa arrecadar pouco mais de US$ 65 milhões.

A cinebiografia Michael, dirigida por Antoine Fuqua e estrelada por Jaafar Jackson, sobrinho de Michael Jackson, chegou ao público carregando uma responsabilidade enorme: contar a história de um artista que nunca coube apenas na palavra “cantor”. Michael foi um artista completo com talento e criatividade que o tornam imortal. Fatos não mentem: 15 anos depois de sua morte, completos ontem 25 de junho, ainda estamos aqui falando sobre ele e continuaremos sabe lá por quanto tempo.

Importante dizer: essa crítica tem caráter muito mais afetivo do que técnico, não espere análises aprofundadas, eu vi o filme como a criança da década de 90 que via Michael pela TV e, hoje, aos 42, entendeu realmente o impacto de seu legado.

Michael faz jus ao Rei do Pop
Considerando que o grande auge dele foi no final das décadas de 70 e década de 80 hoje quem tem acima de 50 vai aos cinemas com uma emoção diferente de quem tem 40 ou menos. Eu sou 40+ e minha memória de Michael mais recente já é na conturbada década de 90.

Eu assisti ao filme mexendo os pés enquanto ouvia outros espectadores cantando junto, comentando, reverenciando ao ídolo. Tem momentos em que dá vontade de levantar e dançar, mesmo sem ser bom nisso, como é o meu caso.

Jackson Five Divulgação

O menino, o palco e as feridas por trás do mito

Me lembro de quando gravou o clipe de They Don’t Care About Us no Brasil, Black or White, e o mais curioso é que quando vivemos na época nem sempre nos damos conta do tamanho daquela pessoa. Em caso de artistas isso é bem mais evidente, mas as pessoas comuns também têm seu gigantismo e nem sempre nos percebemos. Quando ele morreu em 2009 eu tinha 25 anos e me lembro até hoje do impacto da notícia, mas ainda sem me dar conta do tamanho da perda.

Michael é um filme que busca mostrar a pessoa por trás do ídolo e apesar de não se aprofundar mostra diversas camadas ainda presentes na sociedade, de forma latente:

  • Violência infantil – Os atos de Joseph são, no mínimo, cruéis. Não à toa, no filme, ele não é chamado de pai por nenhum dos filhos. Ainda há muitos Josephs por aí…
  • Trabalho infantil- Michael, com 5 anos, já era percussionista e dançava no Jackson Five, aos 8 ,atuava como vocalista do Jackson Five e aos 11 anos, o grupo entra para a Motown. Hoje ainda temos artistas que começaram crianças, afora os youtubers… Preciso dizer mais?
  • Racismo- o pai na tentativa de dar uma vida melhor aos filhos diz que não os quer tendo a mesma vida que ele e por serem pretos e pobres precisariam se esforçar muito. O tema volta de forma contundente, quando ele vai negociar o clipe de Thriller na MTV, e diz ao dono da gravadora que não aceita sentar no fundo do ônibus ao insistir pela veiculação e na qualidade do trabalho. Hoje o racismo continua, felizmente temos maior representatividade, mas ainda há muito a conquistar…

Aliás tem uma cena linda em que um menino preto o vê na TV e os olhos brilham, representatividade continua importando!

Há quem sinta falta de aprofundamento nas questões familiares, mas veja só: o filme foi produzido pela família. Para os fãs é a Família Jackson para eles é a história do pai, mãe, tio, primos, avô. Você acha mesmo que os casos de família serão expostos por ela?

Lógico que aparecem buracos: os irmãos em nenhum momento tiveram inveja, ciúme e/ou tiveram desentendimentos com o pai quando a estrela de Michael começou a ofuscá-los no Jackson Five? Ele seguiu carreira solo numa boa?

O que dói muito de ver é o quanto ele se sentia incompreendido pela família desde criança, isso aparece na relaçao com os irmãos, os pais, e os animais se tornam amigos. A cena em que convence a mãe a ter uma lhama é de partir o coração tanto quanto a que ele a isenta dos atos do pai, durante a internação apos o acidente no comercial da Pepsi.

Divulgação

Jaafar Jackson impressiona como Michael

Falando em família é incontestável o talento de Jaafar!

Jaafar não é o sobrinho que interpretou o tio. É um ator que interpretou o Michael com precisão e verdade!

Eu só o vi no filme, não vi os trailers, mas já tinha ouvido sobre. Mas olha é uma performance impressionante! Eu fiquei tão impactada que nem sei o que dizer! E o menino Juliano Krue Valdi? Tem o carisma do astro!

Divulgação

Não foi uma imitação, diria que Jaafar incorporou Michael para dizer o mínimo e ainda não é suficiente!

Sem dúvida a cenografia, figurinos, coreografias, direção musical e maquiagem são um espetáculo à parte no filme. As reproduções de Thriller e demais números são arrepiantes tamanha a fidelidade. Fica difícil saber quem é Jaafar ou Michael em algumas músicas.

O palco mostra a luz e esconde as sombras de Michael

O filme mostra a intensidade da relação de Michael com os palcos como um momento de libertação e expressão mas também de cobranças, afinal ele sempre primava pelo melhor, mas a um preço alto. Dá para questionar se o desejo de ser O maior do mundo era para mostrar a sua luz ao mundo (fala da mãe) ou ainda resquícios da influência de Joseph como forma de auto afirmação diante do genitor. A presença dos processos criativos de composição das músicas e elaboração das coreografias, clipes e toda a obra e de como ele mentalizava os objetivos é louvável.

No fim, a cinebiografia não diminui o mistério Michael Jackson. Apenas o ilumina por alguns ângulos. E talvez seja essa a melhor maneira de falar de alguém que viveu entre o menino e o rei, entre a fragilidade e o espetáculo, entre o aplauso do mundo e uma solidão que nenhuma multidão parecia conseguir preencher.

Michael é uma homenagem grandiosa, emocional e cuidadosamente construída. Incompleta como biografia e uma experiência afetiva ímpar. Michael 2 já esta confirmado e estreia entre 2027 e 2028.

Vá aos cinemas e se emocione com Michael

Trailer:

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Joana D’arc Souza é jornalista, escritora, ghostwriter e revisora. Une técnica e sensibilidade para transformar ideias em textos que tocam, inspiram e despertam reflexão. Apaixonada por cultura, especialmente livros e pela força das palavras, acredita que a leitura e escrita são formas de autoconhecimento e de conexão com o outro. Seu objetivo é que cada texto seja um convite a sentir, pensar e se expressar com verdade. Instagram: @ajoanadarcsouza

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