Tem uma cena que Luciana Araújo não esquece. Ela tinha catorze anos, vivia em Timbaúba, zona da mata pernambucana, e cozinhava no fogão a carvão enquanto a luz elétrica ainda era promessa no quintal de casa. Quando chegou, foi ela quem comprou o primeiro fogão a gás da família. Não era ostentação. Era o instinto que já se manifestava naquela menina: transformar o que falta em impulso.
Décadas depois, esse mesmo instinto é o que anima o Grupo Jurema, empresa de comunicação, eventos e ativação de marcas que completa quinze anos em 2026, e celebra a data com uma noite no EXC Rio, no tradicional Jockey Club Brasileiro, no Jardim Botânico, em 29 de maio.
Não é apenas uma festa. É a prova material de que algumas mulheres, quando decidem não parar, simplesmente não param.
A escolha do nome não foi acidental
A jurema é uma árvore do sertão. Torta, dura, discreta, sobrevive onde quase nada sobrevive. Acumula água nas raízes durante as estiagens e ressurge verde quando chega a chuva. Para quem cresceu olhando para ela no nordeste, o recado é claro: resistência não é ausência de dor. É capacidade de continuar depois dela.
Luciana Araújo, professora por formação, jornalista por opção e poeta confessa, conhecia bem esse recado quando fundou o grupo. Já tinha passado por falências, por recomeços, por aquele tipo de queda que a maioria das pessoas não conta em voz alta. “Sou a Fênix do Sertão”, diz, com a tranquilidade de quem não precisa mais provar nada para ninguém.
O que ela construiu, no entanto, não é só uma empresa. É uma rede. Ao longo de quinze anos, o Grupo Jurema conectou mais de cinco mil mulheres em todo o Brasil, em projetos sociais, eventos de empoderamento, rodas de conversa, mesas de debate e cerimônias de premiação. A CEL Editora, a Revista Jurema e os projetos ligados a literatura, moda, arte e empreendedorismo saíram de um propósito central: que mulheres cheguem onde precisam chegar sem pedir licença.
“Eu acredito que vivemos da matéria dos nossos sonhos. Quando uma mulher entende sua força, sua essência e sua capacidade de recomeçar, ela floresce e inspira outras mulheres a florescerem também”, afirma Luciana.
Uma noite desenhada para surpreender
A celebração dos quinze anos foi concebida como uma experiência sensorial completa, e o roteiro da noite reflete esse cuidado. O sofisticado coquetel volante fica por conta do Bistrô Guanabara, harmonizado com vinhos e espumantes da Salton. A ambientação assina Thiago Calil, com flores e elementos naturais das kokedamas de Sonia Norberto, da Kokedamas com Afeto, presença delicada que já tem sido destaque em cada edição do evento.
Joias de Karla Figueiredo compõem uma exposição exclusiva, enquanto o Café Monthal cria experiências à parte. O desfile da marca Lolla.com garante protagonismo à moda. A trilha sonora fica a cargo da banda VALVE e do experiente DJ Mauricio Santos, que promete conduzir a noite entre o house music e os clássicos que moldaram a cena carioca nos anos 70, 80 e 90.
A Cia de Dança Ronaldo Vasconcelos apresenta performance inédita de dança do ventre. E a apresentadora e artista Adriana Bombom assume o papel de dama de cerimônia, com o carisma que é marca registrada sua.
Um dos momentos mais esperados será a entrega do Prêmio Jurema Brasil – 4ª Edição, que homenageará 28 personalidades da cena carioca: empresários, artistas, comunicadores, advogados e empreendedores com trajetórias que merecem ser nomeadas em voz alta.
A noite também marcará o lançamento da edição de número 39 da Revista Jurema Brasil, com Nina Kauffmann na capa da edição especial, consultora de luxo reconhecida por conectar marcas ao consumidor de forma estratégica, com uma atuação que transita com fluência entre posicionamento, relacionamento e experiências de alto padrão.
O mercado que ela não esperava encontrar, mas encontrou
Há quatro anos, Luciana Araújo colocou uma mochila nas costas e veio para o Rio de Janeiro. A missão era ambiciosa: construir pontes, criar movimento, ocupar espaços de poder com mulheres que ainda estavam sendo mantidas à margem deles.
O que encontrou foi um mercado receptivo, e exigente. A experiência acumulada como dirigente sindical e ativista social abriu uma porta inesperada: o mercado financeiro. Hoje, além da comunicação e dos eventos, Luciana atua como consultora especializada em escrita de projetos, planos de negócio, captação de recursos e estruturação de fundos de investimento. Serve a grandes empresas com o mesmo olhar que sempre voltou para as margens: inclusão, autonomia, impacto real.
Mãe de gêmeos, avó de um neto, solteira por escolha, ela resume a trajetória com a precisão seca de quem aprendeu a ser econômica com as palavras: “Já passei por três casamentos… e um funeral. Hoje estou casada comigo e com a minha missão.”
Tem gente que chama isso de resiliência. Ela prefere chamar de coerência.
O que quinze anos de Jurema dizem sobre o Brasil
A trajetória do Grupo Jurema não existe no vácuo. Ela é filha de um país onde comunicação independente, protagonismo feminino e empreendedorismo periférico ainda precisam lutar por espaço, e onde, quando conquistam esse espaço, o fazem com uma solidez que desconcerta quem apostou no contrário.
O evento do dia 29 de maio, produzido por Priscila Cazarredo e Robson Ribeiro e com assessoria da DG Assessoria e Comunicação, não é só uma comemoração. É o registro de que uma jornalista de Timbaúba, que cresceu sem luz elétrica em casa, construiu no Rio de Janeiro uma das marcas mais sólidas do segmento de comunicação e eventos voltados ao empreendedorismo feminino no Brasil.
A jurema do sertão acumula água nas raízes. Luciana Araújo acumulou algo mais difícil: confiança. A de outras mulheres. E isso, ao contrário da estiagem, não se vai.
A celebração dos 15 anos do Grupo Jurema acontece em 29 de maio, no EXC Rio — Jockey Club Brasileiro, Jardim Botânico, Rio de Janeiro.
