Sempre gostei mais da Páscoa que do Natal, e por mais de um motivo. O primeiro é o fato de o Natal ter se transformado numa orgia consumista há um bom tempo. Longe do espírito natalino que levava todas as pessoas a andarem sorridentes pelas ruas e a fazerem compras com tranquilidade, o Natal de hoje em dia virou uma corrida desenfreada. O segundo motivo é que, se depender de boa parte do pessoal da indústria e do marketing, o Natal deixará de ter cheiro e sabor de nozes, passas e avelãs e passará a ter gosto de chocolate. O chocotone que o diga!

            Há também a questão de que essa busca alucinada por bens de consumo ter deixado o aniversariante – Jesus Cristo – de lado. Nos festejos natalinos, come-se e bebe-se muito, mas o Homem de Nazaré fica de escanteio. Acho lamentável.

            Tal fato, a meu ver, não ocorre na Páscoa. Apesar de ser um feriado que remete à crucificação, o ambiente, pelo menos para mim, não é de tristeza, mas de renovação das esperanças em dias melhores. É a mensagem do Cristo renascendo para que tenhamos em mente que este mundo só será um lugar bacana para todo mundo quando aprendermos a partilhar o pão, o conhecimento, a riqueza etc. Eu sinto mais a presença do Cristo na Páscoa do que no Natal.

            O último motivo é o chocolate, agora em seu devido lugar onde reina absoluto. Diferentemente do Natal, a Páscoa foi feita para ter gosto de chocolate, e chocólatras de todas as idades aproveitam a ocasião para se esbaldar.

            Na infância e até os meus 30 anos, creio, os ovos de Páscoa eram feitos com chocolate da melhor qualidade e eram todos grossos, ou seja, precisávamos quebrar o chocolate com a mão para poder degustá-lo, tamanha a espessura das paredes do ovo. Hoje em dia, salvo honrosas exceções, as paredes são finas.

            O que mais frustra, no entanto, é a queda da qualidade do sabor e da textura dos ovos e barras, e o que digo vem respaldado por diversos nutricionistas que sigo nas redes sociais. Mal mordemos o chocolate e lá vem aquele gosto de gordura. Já perceberam? Estão cobrando caro por um produto que ficou ruim, pois colocam, na fórmula, menos cacau, mais gordura e mais açúcar. O formato é de chocolate, a cor é de chocolate, o cheiro é de chocolate, mas o sabor passa longe.

            Por que isso acontece? Porque o cacau, devido à crise climática e também por causa das diversas pragas que o assolam, ficou mais caro. Por isso, as indústrias o substituíram por gordura. O problema é que, mesmo se o preço do cacau vier a baixar, os fabricantes não voltarão à antiga e deliciosa fórmula. Vão continuar nos empurrando um chocolate de qualidade duvidosa. Afinal, isso dá mais lucro.

            Por isso, dá próxima vez que você for comprar chocolate, dê uma lida na lista de ingredientes. Se itens como massa de cacau, manteiga de cacau e leite estiverem entre os primeiros, beleza. Mas se açúcar e gordura vegetal hidrogenada tiverem prioridade na lista, deixe o produto na prateleira. Outra coisa: cuidado com a palavra “sabor”. Se na embalagem estiver escrito “barra sabor chocolate”, é sinal de que carregaram na gordura, no açúcar e o cacau entrou como mero coadjuvante. Fuja desses produtos se, de fato, você quiser degustar um chocolate de boa qualidade.

Marcelo Teixeira

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