Por Ana Soáres
A escritora Clarisse Escorel lança seu primeiro romance, O amor na sala escura, publicado pela Editora Bazar do Tempo. O livro chegou às livrarias no final de fevereiro e terá eventos de lançamento a partir de março nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Ambientado entre o Rio de Janeiro dos anos 1990 e a São Paulo do início dos anos 2000, o romance acompanha uma narradora que revisita um relacionamento amoroso vivido na juventude. A história aborda o impacto duradouro do primeiro amor e explora as marcas emocionais deixadas por experiências afetivas intensas que atravessam o tempo.
A narrativa se desenvolve a partir de memórias que alternam momentos luminosos com episódios de insegurança e silêncio, construindo o retrato de uma relação marcada por desencontros e assimetrias. Ao revisitar essas lembranças, a protagonista tenta reorganizar sua própria história e compreender o peso emocional daquele vínculo.
Segundo a autora, o romance nasce de uma investigação íntima sobre o impacto das experiências amorosas precoces.
Ela afirma que o livro foi motivado pelo desejo de compreender o espanto provocado por um grande encontro afetivo e de explorar as perguntas que permanecem mesmo após o fim de uma relação.
Narrativa percorre cidades e memórias
O cenário do romance tem papel central na construção da narrativa. O Rio de Janeiro da década de 1990 aparece como espaço formador das experiências da protagonista, com seus cinemas, ruas e deslocamentos urbanos compondo o ambiente emocional da história.
Já São Paulo, no início dos anos 2000, surge como cenário posterior da trajetória da narradora, que revisita o passado enquanto tenta compreender o impacto daquele relacionamento na vida adulta.
A obra explora também a dimensão do tempo e da memória, acompanhando personagens pertencentes a uma geração marcada por experiências analógicas, anterior à popularização da comunicação digital.
Trajetória literária
Clarisse Escorel iniciou sua trajetória literária recentemente, após anos dedicados à carreira jurídica. Ela é formada em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e possui mestrado em Direito Internacional pela Universidade de São Paulo.
Durante parte de sua carreira, atuou na área de propriedade intelectual e direitos autorais. A partir de 2019, decidiu dedicar-se integralmente à literatura.
Antes do romance de estreia, publicou Depois da chuva, coletânea de crônicas lançada em 2023, e a plaquete Diamantes, publicada em 2024.
Herança cultural e reconhecimento literário
Clarisse Escorel pertence a uma família com forte presença na vida intelectual brasileira. Ela é neta do crítico literário Antonio Candido, referência central nos estudos culturais e literários do país.
É também filha do cineasta Eduardo Escorel e da designer, editora e escritora Ana Luisa Escorel.
A escrita da autora recebeu comentários positivos de escritores brasileiros. A romancista Adriana Lunardi destacou a capacidade de Clarisse de retratar as complexidades emocionais da experiência amorosa.
Já o escritor Ignácio de Loyola Brandão ressaltou a precisão da linguagem da autora, enquanto Luiz Antonio de Assis Brasil apontou a habilidade da narrativa em atravessar diferentes momentos históricos e afetivos.
Arte, música e literatura no projeto editorial
A edição de O amor na sala escura dialoga com diferentes expressões artísticas. A capa do livro traz a obra Flores da rua, criada em 2021 pela artista visual Ana Prata.
Como parte do projeto editorial, a autora também organizou uma playlist musical que acompanha a atmosfera da narrativa. A seleção de músicas está disponível na plataforma Spotify.
O romance propõe uma reflexão sobre memória, tempo e afetos, acompanhando personagens que tentam compreender as marcas deixadas por experiências amorosas do passado e o modo como elas continuam a reverberar ao longo da vida adulta.
