O Rio de Maneco, o Sertão de Titina e o Mundo de Wagner
Um fim de semana de despedidas históricas, o brilho brasileiro no Globo de Ouro e o drama real que parou o país.
O telespectador que acompanhava o último capítulo da novela das 19h, na Rede Globo, não podia imaginar o que aconteceria nas próximas 48 horas. Na noite de sábado (10), veio a notícia: a arte brasileira perdia Manoel Carlos, aos 92 anos. O paulista mais carioca de todos conscientizou, conversou e emocionou o Brasil e o mundo a partir do Leblon. Ao criar Helenas — de Lilian a Julia — e fazer o país odiar personagens como os de Regiane Alves e Dan Stulbach, ele encerrou em definitivo o espetáculo de sua vida.
Essa não seria a única perda na televisão. O domingo (11) trouxe a partida de Titina Medeiros, vítima de câncer aos 48 anos. A eterna Socorro, de Cheias de Charme, fez seu último papel em No Rancho Fundo, deixando o sertão da ficção mais vazio.
O domingo ainda reservou um grande acontecimento e um grande constrangimento. O triunfo ficou a cargo de Wagner Moura, que fez história ao receber duas estatuetas do Globo de Ouro: como Melhor Ator e Melhor Filme em Língua Não Inglesa com o longa O Agente Secreto. Palmas ao cinema brasileiro. Já o constrangimento foi proporcionado pelo dominical Fantástico, ao promover um encontro entre os jovens Roberto Farias Tomaz e Tayane Smith, ambos de 19 anos. Tomaz virou notícia e preocupação nacional ao passar cinco dias desaparecido na trilha que leva ao Pico Paraná. Sentindo-se abandonado pela então amiga, o rapaz sentenciou na reportagem: “Nosso laço se encerra aqui”. A exposição da não reconciliação, em rede nacional, definitivamente não foi de bom tom.
Entre o luto pela genialidade de quem partiu e o aplauso pelo talento de quem conquista o mundo, o Brasil encerrou o domingo com um lembrete agridoce. Na vida real ou na ficção, as cortinas se fecham, os laços se partem e o espetáculo, de forma implacável, precisa continuar.
