Por Manú Cárvalho
Um começo de ano que convida o público de volta ao cinema
Janeiro costuma carregar um simbolismo próprio para o cinema. É o mês de retomadas, de novas apostas e, muitas vezes, de filmes que escapam das grandes disputas de premiações para encontrar o público com mais calma e atenção. Em 2026, o calendário de estreias chega robusto, diverso e surpreendente, oferecendo opções que vão da animação clássica ao terror psicológico, do drama intimista ao cinema de espetáculo.
Mais do que uma simples lista de lançamentos, a agenda de janeiro reflete um momento de pluralidade do audiovisual. Há espaço para produções internacionais, animações voltadas à família, documentários musicais, narrativas experimentais e, sobretudo, para o cinema nacional, que segue ocupando lugar de destaque nas salas.
É o tipo de mês que convida o espectador a sair de casa não apenas pelo evento, mas pela experiência: escolher o filme, sentar na poltrona, desligar o mundo por duas horas e se permitir sentir.
Primeira semana: emoções, memórias e cinema para todos os públicos
As estreias do dia 1º de janeiro já deixam claro que o ano começa sem timidez. A programação mistura títulos populares, dramas sensíveis e produções que dialogam com questões afetivas e sociais. Filmes como A Empregada, Eu, Que Te Amei e Jovens Mães apostam em narrativas humanas, centradas em relações, escolhas e consequências.
No mesmo dia, o público infantil e nostálgico encontra espaço com Bob Esponja: Em Busca da Calça Quadrada, reafirmando o apelo das animações que atravessam gerações. Já títulos como Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria indicam um cinema mais provocador, disposto a desafiar o espectador desde o início do ano.
Oito de janeiro amplia o leque e aposta na diversidade temática
A segunda semana, marcada pelo dia 8 de janeiro, traz um verdadeiro mosaico de gêneros. Há espaço para aventuras familiares, como Tom & Jerry: Uma Aventura no Museu, ao mesmo tempo em que surgem produções de perfil mais autoral, como Timidez e Transamazônia, que dialogam com questões identitárias e territoriais.
Documentários e filmes históricos também ganham vez, como Kokuho – O Mestre Kabuki e Águias da República, reforçando a presença de obras que exploram memória, cultura e tradição. É uma semana que evidencia como o cinema pode ser entretenimento e reflexão ao mesmo tempo, sem abrir mão da experiência coletiva.
Quinze de janeiro: cinema como provocação, arte e experimentação
O dia 15 de janeiro se destaca como um dos mais intensos do mês. A quantidade de estreias chama atenção, mas é a diversidade estética que mais impressiona. Obras como Extermínio: O Templo dos Ossos dialogam com o terror e o suspense, enquanto Me Ame com Ternura e Ato Noturno exploram afetos, silêncios e relações humanas.
Títulos como Song Sung Blue: Um Sonho a Dois e A Cronologia da Água apontam para narrativas mais sensoriais, que exigem entrega do espectador. Já Davi – Nasce um Rei e Hamnet: A Vida Antes de Hamlet reforçam o interesse por histórias que dialogam com a literatura, a espiritualidade e a reconstrução histórica.
É uma semana que convida o público a sair da zona de conforto e experimentar o cinema como linguagem, não apenas como produto.
Vinte e dois de janeiro: terror, música e cinema de impacto
Na reta final do mês, o dia 22 de janeiro chega com estreias de forte apelo popular e temático. O terror marca presença com Terror em Silent Hill – Regresso para o Inferno, enquanto a música ganha espaço em Megadeth: Behind the Mask, aproximando fãs de experiências documentais e performáticas.
Filmes como Justiça Artificial e Monarcas: O Conto das Borboletas indicam narrativas que dialogam com política, ética e simbolismo, enquanto Viagem Gelada: O Resgate do Urso Polar amplia o alcance para públicos mais jovens e familiares. É uma semana que reforça o cinema como espaço de impacto, debate e emoção.
Vinte e nove de janeiro encerra o mês com pluralidade e sensibilidade
Encerrando janeiro, o dia 29 mantém o fôlego. Títulos como A Pequena Amélie, Socorro! e Infinite Icon: Uma Memória Visual oferecem experiências que transitam entre delicadeza, urgência e contemplação.
A repetição estratégica de obras como Song Sung Blue: Um Sonho a Dois e Hamnet: A Vida Antes de Hamlet em diferentes datas evidencia o esforço de distribuição para alcançar públicos variados, reforçando a ideia de que boas histórias merecem tempo para serem descobertas.
Um convite à experiência coletiva
A agenda de janeiro de 2026 deixa claro que o cinema segue vivo, pulsante e necessário. Em um mundo acelerado, as salas escuras continuam sendo espaço de pausa, encontro e reflexão. Mais do que escolher um filme, ir ao cinema é escolher sentir — seja rindo, chorando, se assustando ou apenas observando o mundo sob outra perspectiva.
Janeiro chega como um convite: desacelerar, olhar para a tela e se permitir viver histórias que, de alguma forma, dialogam com a nossa própria.
As datas de estreia estão sujeitas a alterações. Sempre confira a programação do seu cinema favorito por meio do site ou aplicativo.
