Por Manu Cárvalho

Foto: reprodução/ Shutterstock

Você já acordou cansado, mesmo depois de uma longa noite de sono? Já se sentiu incapaz de realizar tarefas simples, como responder e-mails ou participar de uma reunião? Esse cansaço que não passa pode ser mais do que estresse — pode ser burnout. O termo, cunhado pela psicóloga Christina Maslach, da Universidade da Califórnia, descreve o esgotamento físico e mental causado pelo estresse crônico no ambiente de trabalho.

Para Maslach, burnout é “uma reação ao estresse crônico no trabalho que não foi bem administrado”. Em outras palavras: é quando o corpo grita o que a mente vem ignorando há tempos.

O efeito da vida sempre “conectada”

A tecnologia, que deveria facilitar, acabou nos prendendo em uma rotina sem pausa. A professora Heejung Chung, do King’s College London, afirma que a cultura de estar “sempre ligado” é um dos principais motivos do aumento nos casos de burnout.

“Estamos sempre acessíveis, o tempo todo. Isso impede que o trabalhador se desligue do trabalho, mesmo fora do expediente”, explica Chung.

Essa sobrecarga tem consequências econômicas gigantes. No Reino Unido, por exemplo, o burnout custa à economia mais de £102 bilhões por ano, segundo um estudo da seguradora Axa realizado em 2024. Em alguns países, mais de 70% dos trabalhadores relatam sintomas da síndrome.

Nem frescura, nem preguiça

Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu o burnout como um fenômeno ocupacional, mas deixou claro que ele não é uma condição médica, e sim um problema diretamente ligado às dinâmicas de trabalho.

Isso dificulta o diagnóstico e, muitas vezes, leva à negligência. O trabalhador exausto é visto como improdutivo, e não como alguém adoecido.

Sinais que merecem atenção

Os sintomas do burnout podem parecer comuns no começo, mas se acumulam com o tempo:

Cansaço extremo físico e mental

Irritação frequente e impaciência

Falta de motivação ou prazer no trabalho

Dificuldade de concentração

Sensação constante de fracasso ou ineficiência

Muitos profissionais seguem ignorando esses sinais até que o corpo entra em colapso.

Como se proteger do burnout

Não há fórmula mágica, mas existem caminhos. O primeiro passo é reconhecer os sinais e não minimizar o que se sente. Depois disso, é preciso:

Estabelecer limites claros entre trabalho e vida pessoal

Fazer pausas e respeitar os horários de descanso

Buscar apoio psicológico, se necessário

Conversar com líderes ou gestores sobre a carga de trabalho

Organizações também têm um papel importante, criando ambientes que priorizem o bem-estar e não apenas a performance.

Você não está sozinho — e não está fraco

Burnout não é sinal de fraqueza. É um alerta. Um pedido silencioso de socorro. Aprender a reconhecer seus limites não te faz menos profissional — te faz mais humano. E mais saudável.

O caminho da recuperação começa com uma escolha: cuidar de si antes que seja tarde.

esgotamento

Falta de motivação

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