Autor: Marcelo Teixeira

Eu era criança, mas não me lembro da idade que eu tinha. Um belo dia, assim que acordei, meu pai entregou para mim e meu irmão dois utensílios domésticos. O meu foi uma tigela redonda de vidro. Meu pai, então, explicou que era Dia das Mães e que os havia comprado para darmos de presente para minha mãe. Detalhe: os presentes não estavam embrulhados. Ainda de pijamas, entregamos aquilo para minha mãe, que agradeceu friamente. Foi assim que descobri que existia o Dia das Mães. Confesso que, apesar da pouca idade, fiquei intrigado com a reação da minha genitora e…

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Há um tempo, compartilhei nas minhas redes sociais uma postagem que dizia não importar o que de grave esteja acontecendo no mundo (guerras, crimes, fanatismo etc.). Motivo: o que as pessoas querem mesmo é pagar as contas em dia e morrer. Essa afirmativa me levou a vários locais. Uns físicos, outros literários. Como representante do movimento espírita progressista, já participei de alguns atos em praça pública em prol da democracia e contra autoritarismo, racismo, homofobia e congêneres. Em todos, observei a quantidade de pessoas que passavam sem dar importância ao que estava acontecendo. Não as condeno. Também já agi dessa…

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O fato que narrarei a seguir ocorreu em 2008. Nesse ano, o Fluminense F. C. foi um dos finalistas da Taça Libertadores da América. Nunca fui fã de futebol. Bem que tentei, na infância, torcer para esse o aquele time para acompanhar meu pai, meu irmão ou amigos. Mas não rolou. Nunca achei graça em ficar assistindo a partidas de futebol pela TV e se esgoelar para comemorar gols e vitórias que em nada mudariam a minha vida. E também nunca fui bom com uma bola nos pés. Sou mais da colaboração; competição não é comigo. Talvez por isso goste…

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Já escrevi sobre dois episódios ocorridos comigo e nos quais, a meu ver, comportei-me como um cristão. São os textos intitulados “O dia em que fui ao céu” e “O dia em que minha prece foi ouvida”, ambos publicados aqui. Hoje é dia de ir pelo lado oposto. Vou contar sobre o dia em que vacilei feio. Afinal, nem sempre acertamos na mosca. Há dias em que erramos fragorosamente. Como já relatado nos textos anteriores, trabalhei e estudei na cidade do Rio de Janeiro durante muitos anos. Em épocas de faculdade, quando eu não ficava no Rio, voltava de ônibus…

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Sou formado em publicidade em propaganda desde 1992. O curso de jornalismo, no entanto, veio anos depois. Mais precisamente, em 2006. Além de redigir para publicidade, já vinha trabalhando com assessoria de imprensa e comunicação. Por isso, com 43 anos, voltei aos bancos universitários das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha) para cursar habilitação em jornalismo. O ano seguinte, 2007, me pegou de supetão de várias formas. Fiquei desempregado, perdi meus dois irmãos (Marcus e Sandra) para o câncer, assumi a guarda da Jéssica, minha sobrinha, então com 15 anos (minha irmã era mãe solteira), e passei a ajudar na formação…

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Trabalhei e estudei na cidade do Rio de Janeiro por muito tempo. Trabalhava de dia e estudava à noite. Às vezes dormia no Rio, mas na maioria das vezes voltava de ônibus-leito para Petrópolis (Região Serrana do RJ) ao fim do dia. À noite, o trânsito flui com tranquilidade, e a viagem, de cerca de uma hora, transcorre célere. Aproveitava para ler, estudar ou dormir. Além disso, o ônibus, com exceção das sextas-feiras, subia vazio a serra. Quando saía da faculdade, no bairro de Botafogo, sempre pegava ônibus da linha 126 ou 173. Ambos vão pelos bairros cariocas de Laranjeiras…

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Trabalhei na cidade do Rio de Janeiro por muitos anos e em períodos diferentes. Lá, fiz meus dois cursos universitários. Aliás, adoro a Cidade Maravilhosa, apesar de todos os seus percalços. Num desses períodos, de 1983 a 1993, atuei como assessor de comércio exterior numa multinacional que importava e exportava papel e celulose. Era uma ótima empresa, diga-se de passagem. Ambiente bom, colegas excelentes e salário idem. Época de inflação no Brasil; nem lembro mais qual era a moeda vigente. Mas o salário dava e sobrava. Era uma sexta-feira do mês de abril ou maio de 1988. O expediente terminava…

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Na rua onde moro, há uma casa em reformas. Uma casa, aliás, que já vinha precisando de uma ajeitada faz tempo. Na verdade, é uma guaribada que ela está levando: está sendo pintada (entre outros pequenos reparos) para ser alugada. Espaçoso, com uma boa entrada de garagem e uma residência menor aos fundos, o imóvel, se de fato fosse passar pela reforma que imagino – daquelas dos programas de TV por assinatura –, ficaria um espetáculo! Mas não é o caso. Passando em frente à casa numa manhã, puxei conversa com Milton, o pedreiro que dava um trato na fachada.…

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Colocando-me no lugar das mulheres Muita gente diz que sou contestador e que meus escritos provam muito isso. Creio que esse povo tem razão. Contesto mesmo! Principalmente quando os ditos padrões vigentes são arcaicos e preconceituosos. Por que aceitarmos tudo pelo simples fato de que sempre foi assim? Nunca engoli essa história! Por desde cedo ter alma de escritor, sabia que as palavras impressas seriam a minha grande voz. Como agora, em que narro algumas das vezes em que, ainda jovem, me pus no lugar das mulheres. Uma dessas ocasiões aconteceu quando encontrei um colega numa galeria comercial aqui de…

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Era o ano de 1980. Lá estava eu, numa turma de cursinho, me preparando para prestar vestibular pela primeira vez. Quase todos nós, os vestibulandos, estávamos com 17-18 anos. Digo “quase” porque havia algumas pessoas um pouco mais velhas. Entre elas, Ângela. Não sei exatamente qual era a idade dela. Só sei que ela era casada, tinha uma filha de cerca de cinco anos e prestaria vestibular pela primeira vez. Queria realizar o sonho de entrar para a faculdade. Terminado aquele ano, todos se dispersaram e nunca mais tive notícias de Ângela. Até que, três anos depois, soube, por uma…

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