O grupo de cavaleiros cresce e expande habilidades
Um novo grupo de mágicos é convocado por Atlas (Jesse Eisenberg) para o novo truque, a pedido do Olho: desmascarar Veronika Vanderberg (Rosamund Pike), empresária da mineração cuja empresa lava dinheiro do crime.
Claro essa é mais uma missão para os mágicos heróis cuja missão é salvar o mundo. Desta vez sozinho, Atlas vai precisar de Bosco (Dominic Sessa), June (Ariana Greenblatt) e Charlie (Justice Smith) para roubar a principal joia da empresa: O Diamante coração não mostrado em público há 25 anos quando irá a leilão na Antuérpia.

Com disfarces, agilidade e muita mágica, a missão é bem sucedida, pelo menos até a hora da fuga quando reaparecem Henley (Isla Fisher), Jack (Dave Franco), Merritt (Woody Harrelson), O novo esconderijo é um personagem à parte: O castelo onde nem tudo é o que parece ser.
E claro que agora com um grupo maior de 8 mágicos é preciso se reconectar com os antigos parceiros, bem como conectar-se com os “novatos”. O que rende cenas engraçadas dada a necessidade de todos mostrarem as próprias habilidades uns aos outros, bem como as trocas de farpas diante da experiência confrontada à ousadia dos mais novos. Lola (Lizzy Caplan) retorna em outro momento marcante, após a passagem pelo castelo.

Temas atuais
Etarismo
Está presente de forma leve, irônica. Os novos mágicos têm nos Cavaleiros suas grandes referências, com diversas cenas de tietagem explicita, mas enfrentam dificuldades para conquistar credibilidade com os antecessores. Há momentos de trocas de farpas que ao longo da história se resolvem com trocas de experiências e elos de confiança devido ao desempenho deles. O personagem que promove essa conscientização é Thaddeus, participação especial de Morgan Freeman numa sequência realmente comovente nos túneis do castelo.

Racismo
Intensa e emocionante no plot twist final. Além da fala em si, a marcação de cena, e a postura dos atores mostram claramente a questão racial e social relacionada ao contexto. É explicito, sem espaço para “ah mas, será?” ou “então, não é bem assim, veja só…” Aqui não teve leveza. É direto e reto mesmo. Ponto para a direção e os atores!
Sororidade
Inclui a importância da aliança entre mulheres, Lola, June e Henley surpreendem os demais ao mostrar intimidade, afinal são poucas mágicas mulheres e ainda aspiram a um grupo de mágicas. Uma crítica direta e leve, aos meios formados majoritariamente por homens, sem discursos, apenas uma constatação e um sonho.
Direção
A direção de Ruben Fleischer traz agilidade para a história e seus diversos conflitos: a fuga da Antuérpia, a do castelo, a da prisão, e em cada um deles ao ser concluídos, relaxamos na cadeira por menos de 5 minutos, quando o mundo comum entra em perigo novamente e tudo recomeça. Com isso os olhos não piscam. As falas são curtas e irônicas e rendem alguns momentos de risos.
E trouxe Ruffalo numa rápida sequência de forma onisciente, para instigá-los se realmente sabem o que pensam saber. Um gancho para o 4º filme da sequência, que já foi confirmado.
Efeitos, figurinos e trilha sonora
Os efeitos e figurinos são as grandes estrelas, para além da agilidade nas trocas instantâneas e disfarces ambos se complementam principalmente nos momentos dos truques e fugas. A trilha incidental de Brian Tyler transmite as emoções e intensidade das cenas.
Roteiro
Michael Lesslie, mantém a essência de cada um dos cavaleiros e traz momentos de referências aos filmes anteriores. Bem como, esclarecimentos breves em prol da união do grupo, para alcançar o objetivo que traz sentido à vida de cada um deles, depois dos diferentes rumos: salvar o mundo, inclusive Charlie tem uma fala sobre o sentido que a vida dele ganhou a partir da bravura dos cavaleiros.
A vilã Veronika é humanizada, em pelo menos 2 momentos: com Merriet na prisão e Charlie, é possível ver a vulnerabilidade dela, que a dissimula baseada no poder eeconômico e através dele. Como se a continuidade do legado do pai nos negócios, fosse uma forma de se aproximar dele, que sempre foi ausente.
Além disso, ele causou o suicídio da esposa. Diante da perda da mãe, Veronika comete um crime, que era para ter sido perfeito, mas não contava ela com o destino daquele que tramaria a vingança: o grande truque de mestre. Depois de todas as aventuras, o público descobre que, o grande truque não foi o roubo do diamante coração, que volta para as mãos da dona por poucos instantes, e sim uma revelação surpreendente.
“Truque de Mestre: 3º ato” faz jus à espera de 10 anos, citada na história, traz frescor, agilidade, crítica social. Mostra a necessidade de nos adaptarmos diante das circunstâncias, que nem sempre, são o que parecem ser. Nossos olhos, crenças, percepções de mundo e valores podem muitas vezes ser grandes ilusões como na mágica, consequentemente nos deixam à mercê de manipulações e ilusões de terceiros. Por isso mesmo, todos somos responsáveis pelos nossos truques de mestre na mágica da vida.
Enquanto revemos os 2 anteriores e somos impactados pelo 3º ato, cabe perguntar, diante da confirmação do diretor de que o próximo filme já está em produção:
Qual o próximo truque?

