Carioca não gosta de dias nublados”, como canta Adriana Calcanhotto, mas neste domingo (21/06), o Museu Nacional da UFRJ abriu suas portas em comemoração aos seus 208 anos de resistência. A abertura foi marcada pela emocionante exposição “Rescaldo das Memórias”, mais um marco na trajetória de sua reconstrução.

A mostra contou com a participação do artista Vik Muniz, que ocupou o espaço com réplicas de obras salvas do Paço de São Cristóvão após o incêndio de grandes proporções que atingiu a instituição em 2 de setembro de 2018. Vik utiliza como matéria-prima as cinzas dos próprios destroços, transformando vestígios de destruição em arte para a recriação de peças consagradas. Além das obras do artista, o acervo traz instrumentos musicais produzidos a partir de sobras da madeira resgatada dos escombros. Em um minucioso trabalho de arquitetura, até mesmo uma coluna retorcida pelas chamas foi preservada, tornando-se uma verdadeira obra de arte.
Curiosidade: Vik Muniz (Vicente José de Oliveira Muniz) é um artista plástico brasileiro radicado nos Estados Unidos, além de artista plástico também é Embaixador da boa vontade da UNESCO OMC.


- Estatua de Amun Menkheperre e Múmia de gato (Modelo produzido a partir de tomografia computadorizada realizada antes do incêndio (2018), como apoio à pesquisa em egiptologia, e prototipado no LAPID, tendo recebido cobertura de cinzas provenientes do incêndio.

Também foi apresentada uma réplica do crânio de Luzia, considerada o indivíduo mais antigo do Brasil e um dos mais antigos das Américas. O modelo em 3D foi produzido a partir de uma tomografia computadorizada realizada antes do sinistro, servindo como atividade de apoio à pesquisa em antropologia biológica. Para esta exibição, a peça recebeu uma cobertura de cinzas provenientes do incêndio de 2018.

A comemoração não se limitou ao espaço interno. Do lado de fora, o público pôde prestigiar a apresentação do grupo ZANZAR é um coletivo cultural carioca dedicado à pesquisa e difusão das culturas tradicionais brasileiras amplamente conhecido no Rio de Janeiro por explorar ritmos como: coco, jongo, carimbó, frevo, cirandas, sambas de roda e afoxés, formado majoritariamente mulheres apresentando músicas de altíssima qualidade, além de várias tendas com trabalhos de alunos que apresentavam pesquisas e peças arqueológicas. Um dinossauro com mais de 3 metros de altura funcionou como o “sentinela” da exposição, garantindo a diversão de crianças, jovens e adultos.


O Museu Nacional é ensino, pesquisa e resistência.












Fotos: Roberto Valleck

