Evento gratuito reúne literatura, música, oficinas e manifestações artísticas entre os dias 28 e 31 de maio no subúrbio carioca

O subúrbio carioca tem e faz cultura sim! A Feira Tertúlia acontece a partir de amanhã até 31 de maio. É um encontro literário multilinguagem que promete transformar o Méier em um espaço de convivência, criação e celebração da palavra.

Com base na Livraria Belle Époque e programação espalhada por ruas, praça e espaços parceiros da região, o evento nasce com um propósito que vai além da comercialização de livros: estimular encontros, fortalecer a produção artística independente e ampliar o acesso à cultura em um dos territórios mais pulsantes da Zona Norte do Rio.

A palavra “tertúlia”, de origem espanhola, remete a rodas de conversa e partilha intelectual. No Méier, ela ganha sotaque suburbano e forma própria: poesia no microfone, histórias compartilhadas, crianças ouvindo narrativas, artistas ocupando o espaço público e moradores redescobrindo o prazer de estar juntos em torno da arte e da palavra.

A programação gratuita reúne mesas de conversa, oficinas, lançamentos de livros, contação de histórias, slam, batalha de rima, atrações musicais e feira de publicações independentes. Entre os convidados confirmados estão nomes como o escritor Jessé Andarilho, a dramaturga e atriz Zahí Tentehar, a poeta Luiza Leite e os autores de literatura infantil Luana Rodrigues e Otávio Junior.

Segundo a idealizadora do projeto, a produtora cultural e artista visual Raquel Gandra, a proposta é ampliar o conceito tradicional de feira literária.

“Queremos promover o encontro entre criadores, editores, pesquisadores e público, fortalecendo a circulação de publicações artesanais e autônomas e estimulando o intercâmbio entre diferentes práticas editoriais”, destaca.

Raquel explica que o projeto surge também de sua trajetória interdisciplinar e do desejo de reunir diferentes expressões artísticas em torno do uso da palavra.

Cultura que ocupa e fortalece territórios

A parceria com a Livraria Belle Époque, conhecida por sua atuação cultural no Méier, reforça esse compromisso com a ocupação afetiva e criativa do território.

Para Ivan Errante Costa, fundador da livraria, a Feira Tertúlia fortalece vínculos comunitários e amplia o sentimento de pertencimento.

“O festival Tertúlia vem abrilhantar nosso território, atraindo famílias e fortalecendo a noção de pertencimento, tão importante para a ocupação do espaço público.”

A proposta dialoga com um movimento crescente de descentralização cultural na cidade, valorizando produções fora dos grandes circuitos institucionais e aproximando público e artistas em experiências mais horizontais.

Destaques da programação

Entre os momentos mais aguardados está a Contação de Histórias Inclusiva, conduzida pelo ator, poeta e arte-educador surdo Bruno Ramos. Professor de Libras da UFF e doutorando em Linguística pela UFRJ, ele apresentará narrativas voltadas ao público surdo — abertas também a quem deseja experimentar outras formas de contar e ouvir histórias.

As mesas de conversa abordarão temas como literatura independente, identidade suburbana, cultura periférica e relações entre palavra e imagem.

Outro destaque é a performance “Me conta uma história?”, da artista Gabriela Irigoyen. Durante a ação, a artista escuta histórias de participantes voluntários enquanto confecciona pequenos livros artesanais que, ao final, são entregues aos narradores como lembrança e registro afetivo.

A programação inclui ainda o encontro com Vitor Casemiro, editor e autor de fotolivros vindo de São Paulo para discutir as relações entre fotografia e texto, seguido de projeções audiovisuais e música.

No sábado, cerca de 40 feirantes ocuparão o espaço com livros, zines, gravuras, poesias e publicações autorais, consolidando a feira como espaço de circulação da produção independente.

Escrita, memória e celebração coletiva

As oficinas gratuitas também compõem o coração da Tertúlia.

Entre elas estão a criação de livros de artista com a poeta Julia Panadés, oficinas de zine com Caio Zero e a Oficina de Escrita e Memória, conduzida pelo dramaturgo Marcus Galiña, que convida participantes a escrever sobre seus territórios afetivos e experiências de pertencimento.

O encerramento, no dia 31, ficará por conta do grupo feminino Coco do Trovador, que levará ao público o coco de roda e brincadeiras coletivas em uma celebração marcada pela dança e pela cultura popular brasileira.

Mais do que um evento literário, a Feira Tertúlia se apresenta como experiência de convivência — um convite para que livros, vozes e histórias voltem a circular pelas ruas e fortaleçam os laços que fazem da cultura um espaço vivo de encontro.

Um momento imperdível não só para os artistas e escritores mas principalmente para o público em geral!

Só vai!

Serviço
Feira Tertúlia
📍 Livraria Belle Époque e espaços parceiros – Méier, Rio de Janeiro
📅 28 a 31 de maio
🎟️ Entrada gratuita
📱 Instagram: @interludica | @livrariabelleepoque

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Joana D’arc Souza é jornalista, escritora, ghostwriter e revisora. Une técnica e sensibilidade para transformar ideias em textos que tocam, inspiram e despertam reflexão. Apaixonada por cultura, especialmente livros e pela força das palavras, acredita que a leitura e escrita são formas de autoconhecimento e de conexão com o outro. Seu objetivo é que cada texto seja um convite a sentir, pensar e se expressar com verdade. Instagram: @ajoanadarcsouza

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