Conhecida mundialmente como o reduto da boemia e o templo da malandragem multicultural, a Lapa serviu de pano de fundo para uma revelação sonora no último sábado (14). O Experience Music, palco essencial da cena underground carioca, abrigou a estreia da banda Lys. O grupo entregou a aguardada fusão entre o Thrash, o Gótico e o Visual Kei, estabelecendo uma sonoridade densa onde o horror e a crítica social se encontram. Inspirada pela estética ‘Mal do Século’, a performance traduziu com precisão o espírito da literatura romanesca, onde o belo e o decadente coexistem em uma tensão magnética.

Primeiramente vamos falar sobre o evento.

Há um movimento ganhando corpo, e ele atende pelo nome de CarioKei. Em sua segunda edição, o festival provou que a inspiração no Visual Kei é apenas o ponto de partida para algo maior. O que se viu foi a celebração de uma identidade própria, transformando o palco em um espaço de acolhimento e reafirmando o Rio como um terreno fértil para a ousadia estética e sonora
O line-up do evento foi estruturado entre o vigor da MIG-GAIJIN-PROJECT, que deu início à programação, e o peso da banda MARSARA, responsável por conduzir o encerramento da noite.

A identidade da banda se revela na união de quatro pilares fundamentais: o carisma frontal de Maru, os riffs precisos de Olivr, e uma cozinha rítmica impecável comandada por Kamui no baixo e Kami na bateria.



Diante de uma casa lotada com mais de 120 pessoas, 120 vozes preenchendo o ambiente, a Lys deu o pontapé inicial com a densidade de ‘Les Fleurs Du Mal’ que pode ser conferida na integra no Spotfy.

A escolha não foi por acaso: o single de estreia da banda já chegou ditando o ritmo, carregando o peso de ter superado mil reproduções nas plataformas digitais em apenas 72 horas.


Para além da densidade de Les Fleurs Du Mal, a noite foi marcada pelo ineditismo. O setlist de oito canções reservou um espaço generoso para o futuro: cinco faixas autorais foram apresentadas ao público pela primeira vez, encontrando uma plateia vibrante que abraçou as novas composições com entusiasmo imediato e 3 covers Reddish (DéspairsRay), Gekka no Yasoukyoku ( Malice Mizer) e Yami Yori da banda japonesa “D”.


Um dos ápices da noite de estreia foi a intervenção da bailarina Annabel, que elevou o espetáculo a um novo patamar estético. Ao surgir em duas canções-chave, Annabel não apenas trouxe movimento, mas materializou a dramaticidade sombria da banda em uma performance visceral. A fusão entre o som e a coreografia criou uma dimensão visual tão magnética que o público se dividiu entre o transe sensorial e o impulso imediato de registrar a cena, resultando em um mar de celulares erguidos sob aplausos fervorosos.

O que se vê no palco é a consolidação de uma identidade artística madura. Ao ancorar sua sonoridade em raízes góticas para explorar temas universais, o Lys evita o clichê e entrega um espetáculo de densidade emocional rara. A banda reafirma que, mesmo nas sombras mais profundas, há um quadro sonoro de extrema lucidez a ser contemplado.

Lys

Veja o setlist:

1.La Revanche

2.Les Fleurs du mal;

3. Monsters;

4. Reddish –  DéspairsRay

5. Gekka no Yasoukyoku – Malice Mizer

6. Cerise Rouge

7. Yami Yori – D

8. Waltz Macabre

Fotografia: Thaís Monteiro

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20 Comentários

  1. Julio Tio Verde on

    A banda Lys foi uma grande surpresa na noite de sábado e o diferencial difícil nas bandas atuais é ter um repertório autoral e isso faz uma grande diferença, o mercado olha com outro olhar, parabéns LYS e a bailarina é a cereja do bolo!!!!

    • Não tenho palavras para agradecer por essa matéria. Esse show foi repleto de desafios, e agora ser presenteado com isso, não tem preço. Muito obrigado Roberto Valleck por suas palavras, pela honra da sua presença no show e por nos proporcionar esse momento. Gratidão também à Revista Pàhnorama por abrir esse espaço pra Lys! Muito obrigado!

    • Maria Dutra on

      Uma leitura sensível e bem construída. A forma como o som ganha corpo e se transforma em presença no palco revela uma percepção artística muito interessante. Essa ideia traz uma sensação de arte viva, quase como um grito sendo sentido, não apenas ouvido. Um texto que traduz com força a experiência.

  2. Muito obrigado pela cobertura e pelas palavras! Muito satisfatório ter realizado esse show e estarmos sendo acolhidos por vocês!!

  3. O show foi incrível! Um dos melhores sons que já ouvi na vida e a experiência imersiva e teatral impecável! Parabéns Lys! Os Tigres do Visual Kei 🎸🐯

  4. Rayane Albuquerque on

    Mais do que um show, uma experiência! Assistir a banda Lys ao vivo é sentir a música. Cada talento se une resultando em uma mistura de estilos fora do clichê, do comum e do esperado. Cada detalhe muito bem pensado traz a carga de uma grupo maduro que está pra desabrochando e não vai ser em uma flor e sim em um jardim de força, arte, magnetismo e muito talento!

    • Mais do que um show, uma experiência! Assistir a banda Lys ao vivo é sentir a música. Cada talento se une resultando em uma mistura de estilos fora do clichê, do comum e do esperado. Cada detalhe muito bem pensado traz a carga de uma grupo maduro que está pra desabrochando e não vai ser em um flor e sim em um jardim de força, arte, magnetismo e muito talento!

    • Jorge Ribeiro on

      O show da banda Lys transcendeu o que se esperava. A dose perfeita de mistura de gênero associada a performance da bailarina deu um toque mágico ao evento. A reportagem evidencia tudo isso. A matéria foi perfeita, evidenciando todas as nuances desse grande espetáculo.

  5. Sem palavras para essa matéria. A gente agradece imensamente ao Valleck, primeiramente por ter ido ao nosso show nos prestigiar e, também, por ter traduzido com tanta sensibilidade um momento tão especial que vivemos.

    Nosso agradecimento também à Revista Pàhnorama por abrir esse espaço e registrar esse capítulo tão importante da nossa história.

      • Maria Ferreira Dutra on

        Uma leitura sensível e bem construída. A forma como o som ganha corpo e se transforma em presença no palco revela uma percepção artística muito interessante. Essa ideia traz uma sensação de arte viva, quase como um grito sendo sentido, não apenas ouvido. Um texto que traduz com força a experiência.

  6. Gabriela Saes on

    Valleck tem um olhar incrível, que transforma cada detalhe em poesia. Muito obrigada pela matéria, ficou simplesmente incrível. E um agradecimento enorme à Revista Pàhnorama por nos dar esse espaço e eternizar esse momento que vamos guardar pra sempre.

    • Que matéria preciosa.

      Completamente anestesiada, e emocionada.
      Lys compondo a cena de grandiosos artistas desse país.
      Parabéns ao meninos!
      Show fantástico! Junto ao ballet lindíssimo de Annabel!

  7. Esta matéria retrata com fidelidade toda a intensidade e beleza do primeiro show da Lys. Foi incrível! Espetacular!

  8. Maria Dutra on

    Uma leitura sensível e bem construída. A forma como o som ganha corpo e se transforma em presença no palco revela uma percepção artística muito interessante. Essa ideia traz uma sensação de arte viva, quase como um grito sendo sentido, não apenas ouvido. Um texto que traduz com força a experiência.”

  9. Raphaella Nóbrega on

    A Lys chegou pra mudar essa cena! Uma estreia linda, ao final de cada música o público vibrava demais!! Os meninos em sintonia total e a bailarina foi um diferencial tocante, dançando entre a sensibilidade e a resistência. Essa matéria ficou incrível, você conseguiu traduzir bem em palavras as emoções que rolaram no show!! Desejo muito sucesso para os meninos, foi o primeiro show de muitos que virão!!

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