Ano de 2026 começa com incertezas
Por Eduardo Mello | Rio de Janeiro, 03 de Janeiro de 2026 — 16h00
O sábado, 3 de janeiro de 2026, entra para a história como o dia em que o mapa geopolítico da América do Sul foi redesenhado à força. Em uma sequência vertiginosa de eventos, o presidente Donald Trump confirmou o sucesso da Operação Lança do Sul, a captura de Nicolás Maduro e, em um movimento que surpreendeu o mundo, anunciou que os Estados Unidos assumirão temporariamente a administração do país vizinho.
A declaração detonou uma crise diplomática imediata com o Brasil. O governo Lula classificou o ato como uma ruptura inaceitável da soberania regional, enquanto o mercado financeiro reagiu com pânico, provocando disparada do dólar e do petróleo.
Abaixo, o resumo completo deste dia histórico.
1. A Declaração de Trump: “O Petróleo é a Garantia”
Quebrando o silêncio operacional em uma coletiva extraordinária em Mar-a-Lago, Donald Trump, ladeado por generais do Pentágono, confirmou que Nicolás Maduro e a ex-primeira-dama Cilia Flores já estão a caminho de Nova York para enfrentar a justiça americana.
Contudo, o ponto mais crítico do pronunciamento foi o plano para o “pós-Maduro”. Dispensando eufemismos, Trump deixou claro que não haverá apenas uma troca de governo, mas uma ocupação administrativa focada na infraestrutura energética.
“Maduro e sua esposa estão voando para Nova York […] Acabou. Mas não vamos cometer os erros do passado de deixar um vácuo. Nós vamos administrar a Venezuela até que uma transição segura possa ser feita. Nós temos as maiores empresas de petróleo do mundo e vamos nos envolver profundamente na recuperação daquela infraestrutura. O petróleo venezuelano vai pagar pela sua própria libertação.” — Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos.
Para analistas, a fala confirma que a PDVSA passará, na prática, para tutela norte-americana, retirando a autonomia da Venezuela sobre seus recursos naturais no curto prazo.
2. O Brasil Reage: “Linha Inaceitável” e “Novo Vietnã”
A confirmação da tutela americana sobre um país fronteiriço caiu como uma bomba no Palácio do Planalto. O governo brasileiro, que até então mantinha uma postura de cautela, endureceu o discurso para níveis inéditos.
Lula: A Condenação Oficial O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva abandonou a diplomacia de bastidores e emitiu uma condenação pública severa:
“Os bombardeios e a captura do presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da região. A América do Sul é uma zona de paz, não um laboratório para aventuras coloniais. O Brasil não se calará diante da tentativa de impor tutelas estrangeiras a vizinhos nossos.”
Celso Amorim: O Alerta Sombrio O Assessor Especial da Presidência, Celso Amorim, foi ainda mais contundente em entrevista a correspondentes internacionais, prevendo um cenário de desastre militar prolongado:
“Trump acredita que fará uma ‘limpeza rápida’, mas a história ensina outra coisa. Ao prometer ‘administrar’ a Venezuela, Washington está contratando uma insurgência. O risco é criarmos um novo Vietnã na nossa fronteira norte. O Brasil não fará parte de nenhuma força de ocupação.”
3. Impacto Econômico: O “Risco Guerra” Chega ao Brasil
A combinação da retórica agressiva de Trump sobre o petróleo com a reação hostil do governo brasileiro gerou estresse máximo nos ativos locais no fechamento do after-market deste sábado.
| Indicador | Situação no Fechamento | Motivo / Análise |
| Petróleo (Brent) | Disparou para US$ 98 | O mercado teme sabotagens em campos da Venezuela e a retirada de oferta global para suprir apenas os EUA. |
| Dólar | R$ 6,15 (+2,8%) | Fuga de capitais para a segurança dos títulos americanos; investidores temem que o Brasil sofra sanções ou perca parceiros. |
| Petrobras (PETR4) | Queda de -3,2% | Investidores vendem ações temendo que Lula use o caixa da empresa para segurar o preço da gasolina e evitar inflação, sacrificando lucros. |
| Risco Brasil (CDS) | Subiu 12 pts | Medo de contágio geopolítico e retaliações comerciais cruzadas entre China e EUA afetando o agronegócio brasileiro. |
Alerta ao Consumidor: Analistas indicam que, com o Brent a US$ 98, a defasagem da gasolina no Brasil chegará a 15% já na segunda-feira. A pressão por um reajuste nas bombas deverá ser imediata.
4. O Tabuleiro Global Fraturado
A ação unilateral dos EUA paralisou as instituições multilaterais:
- G20: A presidência do grupo cancelou a reunião de emergência por falta de consenso. O bloco está rachado entre o G7 (apoio tácito aos EUA) e o Sul Global (condenação).
- China e Rússia: Pequim alertou que “contratos de petróleo devem ser honrados”, insinuando sanções comerciais caso o fluxo para a Ásia seja cortado. Putin colocou a frota do Atlântico Norte em alerta, classificando a ação como “pirataria”.
- União Europeia: Bruxelas tenta uma “terceira via” tímida, apoiando a saída de Maduro mas pedindo eleições em 90 dias — prazo que a fala de Trump sobre “administração temporária” parece ignorar.
O Cenário para o Domingo
O Brasil amanhece amanhã com a fronteira em Roraima militarizada e as relações diplomáticas com a maior potência do mundo por um fio. A promessa de Trump de “controlar o petróleo” transforma a crise política venezuelana em uma guerra comercial global, e o cidadão brasileiro será o primeiro a sentir o impacto: seja na tensão política, seja no preço do combustível na próxima semana.

