Por Carine Sampaio

No último domingo, dia 30 de novembro, as escolas de samba do Grupo Especial fecharam com chave de ouro os mini desfiles que marcaram a preparação para o Carnaval 2026. O evento, realizado na Cidade do Samba, na Gamboa, Zona Portuária do Rio de Janeiro, foi mais do que uma simples festa pré-carnavalesca. Foi um grito de resistência, um ato de afirmação cultural, e uma reverência ao samba, essa potência popular que pulsa nas ruas e corações do Brasil.

Além das agremiações, o evento teve a honra de contar com o show de Zeca Pagodinho, um ícone do samba, que não só encantou o público com suas músicas imortais como “Quando A Gira Girou”, mas também fez questão de brindar a plateia com sua tradicional cervejinha, reforçando o clima de confraternização que só o samba tem o poder de criar.

Mas os mini desfiles não foram apenas uma homenagem ao samba. Eles foram uma janela para o futuro, para o que virá no próximo Carnaval. A cidade, o Brasil e o mundo presenciaram uma celebração que vai além da festa – é uma afirmação da identidade brasileira, da resistência das comunidades, e da força do povo, especialmente daqueles que são historicamente marginalizados.

Paraíso do Tuiuti: O Poder das Raízes Afro-Brasileiras

A jornada começou com o Paraíso do Tuiuti, a azul e amarela de São Cristóvão, que iniciou o último dia de desfiles com muita energia e emoção. A escola deu um gostinho do que apresentará no próximo ano, com o enredo “Lonã Ifá Lukumi”, que irá celebrar a história da religião afro-cubana Lukumí e sua ressignificação no Brasil. Sob a batuta do carnavalesco Jack Vasconcelos, a escola promete um desfile vibrante, carregado de significados ancestrais.

Paraíso do Tuiuti – Créditos: Eduardo Hollanda/Rio Carnaval

Mayara Lima, rainha de bateria do Paraíso do Tuiuti, atravessou a avenida com exuberância, conduzindo a bateria comandada pelo Mestre Markinhos. A agremiação, que será a primeira a se apresentar no desfile oficial de 2026, confirmou sua força e relevância na preservação e celebração da cultura afro-brasileira.

Unidos de Vila Isabel: O Samba que Rejuvenesce a Alma

Em seguida, foi a vez da Unidos de Vila Isabel, conhecida pela sua capacidade de misturar tradição e inovação. A agremiação, sob o comando do Mestre Macaco Branco, trouxe para o mini desfile a energia contagiante de sua rainha de bateria, Sabrina Sato. Em seu Instagram, a apresentadora e sambista celebrou sua conexão com o samba, afirmando que “a Unidos de Vila Isabel me lembra exatamente de onde vem a minha força”.

A Rainha Sabrina Sato, Vila Isabel – Créditos: Eduardo Hollanda/Rio Carnaval

O enredo de 2026 da escola será uma homenagem ao artista Heitor dos Prazeres, exalando sua trajetória como compositor e artista plástico. Com “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um sambista sonhou a África”, a Vila Isabel promete nos transportar para um imaginário que é ao mesmo tempo ancestral e atemporal.

Acadêmicos do Grande Rio: A Força do Manguebeat

A Grande Rio, de Duque de Caxias, trouxe um dos momentos mais vibrantes da noite. Com uma equipe de musas deslumbrantes e a presença de sua rainha de bateria, Virginia Fonseca, a escola celebrou sua proposta para 2026: “A Nação do Mangue”, um enredo que prestará homenagem ao movimento Manguebeat e sua fusão de ritmos tradicionais com a cultura pop. A mistura de maracatu, coco e outros elementos da música popular brasileira com influências do rock e do hip hop promete uma apresentação arrojada e provocativa.

A Musa Karen Lopes, Acadêmicos do Grande Rio – Créditos: Eduardo Hollanda/Rio Carnaval

O enredo é um convite a revisitarmos as raízes do movimento Manguebeat, que surgiu na década de 1990 em Pernambuco e que, até hoje, reverbera em todo o Brasil como um símbolo de resistência e criatividade.

Salgueiro: A Delirante Jornada da Cultura Brasileira

Por fim, o Salgueiro, com seu tradicional tripé e a batida imbatível de sua bateria Furiosa, fechou o último dia de mini desfiles com chave de ouro. Sob o comando dos mestres Guilherme Oliveira e Gustavo Oliveira, Viviane Araújo, rainha de bateria, foi um espetáculo à parte, esbanjando beleza e simpatia.

Unidos de Vila Isabel – Créditos: Eduardo Hollanda/Rio Carnaval

O enredo de 2026, “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”, é uma homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães, uma das maiores referências do carnaval carioca. A proposta traz uma narrativa divertida e irreverente, misturando elementos da cultura popular com um toque de humor e sátira.

O Salgueiro, como sempre, encerrou a noite com a força de uma escola que nunca deixa de surpreender e emocionar seu público, sempre fiel à sua tradição e à sua proposta de levar para a avenida uma celebração do que é genuinamente brasileiro.

Zeca Pagodinho: O Rei do Samba Sempre Presente

E como não poderia deixar de ser, Zeca Pagodinho também brilhou na noite, com seu carisma e autenticidade, cantando seus maiores sucessos e brindando com o público. Sua presença foi um verdadeiro presente para todos os presentes, lembrando-nos da importância do samba, não apenas como um gênero musical, mas como um dos pilares da nossa identidade cultural.

Zeca Pagodinho – Créditos: Thaís Brum/Rio Carnaval

“Quando a gira girou” foi apenas uma das canções que embalaram a noite, numa apresentação que uniu gerações e que deixou claro que o samba, mais do que nunca, segue forte e pulsante.

Um Final de Festa com Gosto de Esperança

Os mini desfiles na Cidade do Samba não foram apenas uma preparação para o carnaval, mas um reflexo do Brasil que se renova, que resiste e que não se esquece de suas raízes. Cada escola, com seu enredo, sua história e sua beleza, reafirma a importância do carnaval como uma celebração de todas as culturas que formam o Brasil. Mais do que isso, estes desfiles foram um lembrete de que, em tempos de adversidade, a resistência cultural e a força do povo brasileiro são os maiores patrimônios que temos.

O que vimos nas ruas da Gamboa neste domingo não foi apenas a preparação para o carnaval. Foi a reafirmação de um país que, apesar das dificuldades, continua a cantar e a dançar sua própria história. E assim, o samba segue vivo, resistindo e se reinventando, com a promessa de mais um carnaval de pura magia, alegria e, principalmente, resistência.

E para você, leitor? Como o samba e a cultura popular brasileira ressoam na sua vida? O que você está fazendo para preservar essa história tão rica e tão nossa? A resposta está nas nossas ruas, na nossa arte, nas nossas vozes.

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