Na tarde do último domingo, dia 26 de outubro de 2025, o Rio de Janeiro se viu novamente palco de um fenômeno que se reinventa, mistura e pulsa ao ritmo do Brasil profundo: o cantor pernambucano João Gomes, uma das maiores revelações da música contemporânea, gravou seu mais novo trabalho audiovisual nos emblemáticos Arcos da Lapa. Um local que, por sua história, tem sido o ponto de convergência de ritmos, vozes e sentimentos, e que agora recebe, mais uma vez, a força de um artista que está, sem dúvida, traçando seu caminho para se tornar uma referência cultural não só no Brasil, mas no mundo.
João Gomes, Gravação DVD – Créditos: Alexandre Macieira | Riotur
João Gomes não é apenas um cantor. Ele é a voz de uma geração que redescobre as raízes da música nordestina enquanto abraça as modernidades que atravessam o país. O piseiro, um dos estilos mais marcantes do sertanejo, encontra com o forró e a MPB na interpretação de Gomes, criando uma sonoridade própria que ressoou nas periferias e nas capitais do Brasil. Seu talento é a ponta de lança de um movimento que está reconfigurando a música brasileira contemporânea e dando uma nova cara para a música nordestina.
O Encontro com a Lapa: Uma Simbólica Escolha
João Gomes, Gravação DVD – Créditos: Alexandre Macieira | Riotur
A escolha dos Arcos da Lapa como cenário para a gravação de seu trabalho audiovisual é um simbolismo. O bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, com sua arquitetura histórica e agitada vida noturna, sempre foi o ponto de convergência entre as tradições culturais e as novas sonoridades. É lá que, nas primeiras décadas do século XX, o samba se consolidou, e é lá que, em pleno 2025, o piseiro de João Gomes faz sua aparição triunfal, trazendo consigo a mistura da cultura nordestina com o espírito urbano do Rio.
“Gravar na Lapa é como dar voz ao Brasil inteiro. O Rio é uma cidade cheia de história, mas também de muitos movimentos culturais novos. Eu venho de uma tradição, mas estou também escrevendo minha história com o povo, com as pessoas que estão nas ruas, que dançam e cantam junto comigo”, afirmou João Gomes durante a gravação.
A energia que emanou da Lapa naquele domingo foi palpável. O cantor, acompanhado de músicos e dançarinos, fez uma performance que mesclava a dança tradicional do forró com os passos mais urbanos do piseiro, uma fusão que se traduzia em uma energia cativante, envolvente. O público que se formou espontaneamente nas ruas foi a grande prova de que João Gomes é o som de uma geração que, ao mesmo tempo que celebra o passado, se projeta para o futuro.
João Gomes, em Gravação de DVD nos Arcos da Lapa- Créditos: Alexandre Macieira | Riotur
O Piseiro: Mais do que uma Geração, um Movimento Cultural
Com letras que falam de amores, saudades e a luta do povo nordestino, João Gomes encontrou no piseiro sua verdadeira voz. Mas, ao contrário de outros gêneros da música popular, ele não se limita a um estilo único. Ele transpõe as fronteiras do forró, do sertanejo e da MPB, criando algo inédito, uma mistura que dialoga diretamente com o Brasil mais profundo, mas que ao mesmo tempo é capaz de romper com a tradição e se conectar com as novas gerações.
De acordo com uma pesquisa da Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD), João Gomes tem conquistado as paradas de sucesso não só no Nordeste, mas também no Sudeste e Sul, áreas onde o piseiro, até recentemente, era visto com certa distância. Em 2025, suas músicas estão entre as mais tocadas do país e, nos últimos meses, João Gomes acumulou mais de 10 milhões de streams no Spotify, um marco para um artista de sua geração.
A ascensão de João Gomes é simbólica. Ele se tornou, para muitos, a figura que desafiou as barreiras do “sertanejo mainstream” e trouxe um novo frescor ao piseiro. Sua presença nas principais playlists do país e os vídeos virais nas redes sociais demonstram como a música tradicional, quando renovada com a energia jovem e moderna, pode conquistar o Brasil de ponta a ponta.
O Impacto Cultural: João Gomes e a Nova Música Brasileira
A música de João Gomes não é apenas sobre ritmos ou sobre hits. Ela é sobre identidade, sobre resistência e sobre pertencimento. Ela fala com o jovem que mora nas periferias das grandes cidades, mas também com aquele que, na tranquilidade de seu lar, sente o peso de um Brasil desigual, mas ao mesmo tempo cheio de potencial.
João Gomes se tornou o reflexo de um Brasil em que as novas vozes e as antigas tradições se entrelaçam, criando uma música autêntica que reverbera através de diferentes camadas sociais. O cantor faz parte de um movimento maior que resgata o poder da cultura popular e coloca as raízes nordestinas no centro da música nacional. Ao gravar nos Arcos da Lapa, ele não só celebra a música popular brasileira, mas também desafia o Brasil a reconhecer as riquezas de sua cultura de forma integral, sem divisões ou estigmas regionais.
Para Onde Vai o Brasil Musical?
O que João Gomes está nos dizendo com sua música? Talvez seja hora de repensar o conceito de “autenticidade” na música brasileira. Ao não se prender a um único gênero e ao incorporar influências diversas, o cantor nos provoca a pensar em um Brasil onde todas as regiões possam coexistir, sem hierarquias, sem limitações, onde as culturas se alimentem umas das outras para criar algo ainda maior.
Mas há algo ainda mais urgente na música de João Gomes: a necessidade de uma revalorização da música popular como instrumento de mudança social. Em um país onde o acesso à cultura muitas vezes é privilégio de poucos, artistas como João Gomes estão quebrando barreiras e provando que, mesmo nas periferias, a arte é uma forma de resistência, de expressão e, sobretudo, de transformação. Para o público jovem-adulto, criativo e socialmente engajado, esse é o momento de olhar para dentro de si e se perguntar: o que podemos fazer para que mais João Gomes tenham voz e espaço no Brasil?
O Samba e o Piseiro Conectam Gerações
No final, a gravação de João Gomes nos Arcos da Lapa é mais do que um simples show. É um marco simbólico de como a música popular brasileira, desde seus ritmos mais tradicionais até suas expressões mais inovadoras, continua sendo a verdadeira alma do Brasil. Em tempos de incertezas políticas e sociais, a arte se apresenta como um farol, nos guiando para novas possibilidades de união e de resistência.
E para você, leitor? O que mais podemos fazer para amplificar as vozes que celebram nossa cultura de forma genuína, sem se deixar abater pelos discursos de divisão e exclusão? A verdadeira mudança começa com o reconhecimento de nossa riqueza cultural e, mais do que nunca, é preciso dar espaço a novas músicas, novas histórias, novas identidades.
João Gomes e os Arcos da Lapa são um convite: abracem a diversidade, celebrem a resistência e deixem-se contagiar pelo som do Brasil.
