LUZ, CÂMERA, CRÍTICA! — Por Manu Cárvalho

Superficial, além de faltar ousadia! (Foto: Reprodução / JWave)

“Deu Preguiça”, lançado em 13 de março de 2025, é uma animação que aposta em um humor leve, personagens adoráveis e uma mensagem sobre aceitar nosso próprio ritmo.

Com 1h24 de duração, o filme dirigido por Marina Campos mistura aventura, comédia e um pouco de filosofia infantil, centrando-se na figura inusitada de um bicho-preguiça que, contra todas as expectativas, se torna um herói improvável.

Sinopse: devagar e sempre

Na floresta de Murmúria, todos os animais estão em alvoroço: algo está perturbando a paz da região. É nesse cenário que conhecemos Zé Preguiça, um bicho-preguiça que passa a maior parte do tempo dormindo, pendurado em sua árvore preferida. Quando um acidente natural obriga os animais a buscarem um novo lar, Zé acaba, sem querer, envolvido na jornada.

Ao lado de uma jaguatirica hiperativa, um papagaio tagarela e um tatu inventor, o protagonista embarca em uma aventura onde precisará aprender que, às vezes, até os mais lentos têm seu momento de brilhar.

Animação colorida, mas segura

Visualmente, o filme entrega o esperado: cores vibrantes, cenários tropicais e uma floresta cheia de vida. A direção de arte é eficiente, ainda que não traga nada muito inovador para o gênero. O design dos personagens é simpático e cumpre bem o papel de entreter o público infantil.

No entanto, falta ousadia. A animação aposta em estéticas já conhecidas, sem trazer elementos visualmente marcantes que possam diferenciar o filme dentro de um mercado competitivo.

É devagar, mas completamente focado em ritmo (Foto: Reprodução / FilmeB)

Humor e ritmo: onde o filme cochila

O grande problema de “Deu Preguiça” é que, assim como seu protagonista, o filme parece andar em câmera lenta. O humor, que deveria ser seu motor, às vezes se perde em piadas repetitivas ou gags pouco criativas. Ainda que haja momentos de espontaneidade e algumas boas tiradas, falta consistência no ritmo cômico.

Para crianças menores, o filme cumpre bem seu papel. Para os adultos que as acompanham, pode soar como uma sessão morna e previsível.

Mensagem positiva, mas pouco profunda

A proposta central do filme é interessante: valorizar a calma, o tempo de cada um e a importância da cooperação. Mas a execução fica na superfície. Zé Preguiça é um personagem carismático, mas sua transformação acontece de maneira abrupta, quase automática.

Há ali um potencial de fábula moderna sobre desaceleração e autoconfiança, mas o roteiro não se aprofunda nas possibilidades mais emocionais da narrativa.

É carinhoso, mas falta um pouco de originalidade (Foto: Reprodução / JWave)

Um filme simpático, mas “Deu Preguiça”

“Deu Preguiça” é um filme que tem boas intenções e alguns momentos graciosos, mas que carece de energia e originalidade. Fica claro que a produção se esforça para transmitir mensagens positivas e criar personagens memoráveis, mas o resultado final é uma aventura leve, porém esquecível.

Para os pequenos, é uma distração inofensiva. Para os maiores, talvez seja um convite para um cochilo no meio da tarde.

Nota Final: ⭐⭐½ (2,5/5)

Deu Preguiça

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Jornalista, publicitária, carioca, ruiva, leonina, motoqueira, dona de pet e filha do Carvalho. Informo a galera sobre esportes, cultura pop e algumas críticas de cinema. Conto histórias que estão na rotina do cidadão, do meu jeitinho carioca.

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