Uma noite de consagração que ressoa mudanças profundas na música brasileira.

Era uma terça-feira de gala no Riocentro, no Rio de Janeiro, mas o que o Prêmio Multishow 2024 entregou foi mais do que brilho e badalação: foi uma celebração da transformação cultural que há tempos move a música brasileira. Sob as luzes da zona oeste, nomes consagrados e novas apostas se encontraram, mas o destaque não foi só para os vencedores, e sim para as histórias que esses troféus carregam.

Liniker: quatro prêmios e um manifesto silencioso

Ninguém precisou verbalizar. Quando Liniker subiu ao palco para receber Artista do Ano, Álbum do Ano com Caju, MPB do Ano e Capa do Ano, o recado estava dado: a música brasileira quer — e precisa — respirar novos ares. O brilho nos olhos dela e o discurso emotivo mostraram que, mais do que um reconhecimento, os prêmios são um reflexo de um Brasil que, mesmo em meio a tantas crises, busca voz em sua pluralidade.

Mas vamos combinar: a MPB não é feita há muito tempo só de voz e violão. Hoje, ela é resistência, reinvenção, e Liniker é prova disso. E fica a pergunta: a velha guarda da música, sempre tão reverenciada, está pronta para abrir espaço para quem ousa desafiar as convenções?

Anitta e o Troféu Vanguarda: um prêmio que transcende ao Multishow

Por outro lado, tivemos Anitta, a “garota do Rio”, sendo coroada com o inédito Troféu Vanguarda, como se o Multishow quisesse dizer: “Nós sabemos que você mudou tudo.” O prêmio, entregue pelas mãos de Fernanda Abreu, carrega o peso de uma carreira que internacionalizou o funk, quebrou tabus e abriu portas para uma nova geração de artistas.

Entre os prêmios por Clipe TVZ e Funk do Ano, o troféu dedicado a ela parecia uma declaração de algo maior: o reconhecimento de que ser pop no Brasil é ser política, mesmo quando a música parece só querer divertir. Será que agora finalmente entendemos o que significa ser uma artista que se reinventa ao mesmo tempo que carrega nas costas a cultura de um país?

Por trás da festa, as questões pendentes

Mas, entre os holofotes, uma verdade incômoda pairava. Segundo dados recentes, o Brasil é o país onde mais se consome música nas plataformas digitais da América Latina, mas a desvalorização do artista nacional segue preocupante. Quantos dos vencedores da noite, principalmente os independentes, têm o devido espaço na grande mídia?

No fim, o Prêmio Multishow 2024 foi mais do que uma celebração: foi um lembrete de que a música é reflexo da sociedade. Ela nos pergunta, nas entrelinhas, se estamos prontos para ouvir vozes que incomodam e desafiam. Porque, no fundo, não se trata só de troféus, mas de quem molda o futuro sonoro de um país que nunca parou de cantar.

E você, já parou para ouvir o que essas histórias têm a dizer?

Ivete Sangalo

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