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Os 40 anos da primeira edição do Rock in Rio e a influência da música na formação do Estilo Pessoal

Renata Freitas

Recebi, através de alguma rede social, notícias da estreia de um espetáculo musical, na Cidade das Artes, comemorando 40 anos da primeira edição do Rock in Rio, no dia 11 de janeiro. Idealizado pelo empresário Roberto Medina, a primeira edição foi em 1985, visando inserir o Brasil no circuito internacional de festivais, afirmando nossa capacidade de empreender grandes projetos culturais. O festival foi um sucesso absoluto, desde o início, principalmente pela situação política complexa de um país recém-saído de uma Ditadura Militar, gritando por liberdade e expansão.


Crédito: Perfil Oficial do Instagram do Rock in Rio


Essa notícia me encontrou em uma reflexão bem interessante, sobre a formação do estilo pessoal a partir dos gostos musicais. Em minha formação de caráter,  personalidade e estilo pessoal, lá na adolescência, a música foi essencial e foi a partir dela que comecei a conhecer e experimentar o mundo e a escrita, também. Aprendi inglês traduzindo as músicas das minhas bandas favoritas, das revistas de música ao meu caderno de tradução. Imaginem só que experiência mágica foi o retorno do Festival em 2011, em que finalmente tinha idade para assistir ao show de uma dessas bandas internacionais, System of a Down. Antes disso, alguns shows da Pitty, cover de Legião Urbana, Los Hermanos e outras bandas de rock na Lona Cultural de Realengo, até shows da Fresno em que chegava bem cedo na fila e conhecia pessoas. Não há dúvidas da influência central da música na minha formação cultural e, acredito que de várias gerações também.


Os 40 anos da primeira edição do Rock in Rio
Crédito: reprodução/site/moda de departamento

Este foi o ponto de partida para uma reflexão mais profunda, já que Moda é um dos meus campos de pesquisa cultural. E, sempre que possível, reforço a importância dessa discussão sobre Moda de forma profunda e sistemática, não pela superioridade, mas pela sua capacidade de servir como instrumento de controle e alienação. Pensemos em como o discurso alienante que prega a superficialidade da Moda é amplamente divulgado. Mas nada se fala sobre o problema social e, ousaria até dizer, econômico, o preconceito estético ocasionando o complexo de não pertencimento daqueles que não possuem acesso aos códigos de vestimenta exigidos para entrar no clubinho, daqueles que têm a permissão para existir em sua subjetividade respeitada. Em tempos em que pessoas, que precisam de emprego para sobreviver, podem ter seu direito negado pela forma como se veste, não podemos nos dar ao luxo de aceitar a Moda como superficial.


Os 40 anos da primeira edição do Rock in Rio
Foto: Karen Merilyn (Reprodução/Instagram)

Agora, voltando a formação do estilo pessoal, essa reflexão me levou a uma questão importante, sobre quais influências culturais nos guiam nesse processo. Uma discussão central quando pensamos Moda, mas acho que agora precisamos aprofundá-la pelo viés da digitalização das subjetividades. Pensando, primeiro pela minha experiência pessoal, e depois pela observação das infinitas tendências virais das Redes Sociais, o diagnóstico é claro: esse processo de formação do estilo pessoal, como forma de expressão, mudou drasticamente. O que vemos nos meios digitais, na comunicação de Moda mais superficial, é a busca incessante por padronização e diferenciação através das tendências infinitas e efêmeras. O Capitalismo, apropriando-se dessa narrativa, transformou em incentivo ao consumo o que, antes, era parte de uma busca por identidade e subjetividade.

Os 40 anos da primeira edição do Rock in Rio
Foto: Nina Gabriella (Reprodução/Instagram)

A Moda, como conhecemos hoje, surge em um movimento de contracultura, instrumento político e social reivindicando o papel de protagonista dessa construção imagética às classes consideradas inferiores, fazendo parte ativa nas lutas identitárias. Assim como a música e outras formas de arte, as roupas eram usadas de forma intencional para reafirmar seus posicionamentos e, não raro, esses processos de formação de estilo pessoal e gosto musical coincidiam com a formação da própria personalidade daqueles jovens que queriam mudar o mundo e se uniam em suas tribos pela luta de seus ideais. Acredito que não seja coincidência a volta dessas macrotendências, representando períodos históricos e movimentos culturais importantes. Para além da ciclicidade dos fenômenos culturais e psíquicos que já conhecemos, acredito que pode sinalizar também uma nostalgia de tempos em que nossas produções artísticas e culturais poderiam, sim, mudar o mundo.


Os 40 anos da primeira edição do Rock in Rio
Crédito: Reprodução/site/moda de departamento

Decidi separar uns looks inspiração para festivais, de muita criatividade e autenticidade. Nada de errado com o pretinho básico, ou nem tanto, que costumamos associar aos festivais de Rock. Mas é legal lembrarmos que ele pode ser também bem colorido e estampado.


Os 40 anos da primeira edição do Rock in Rio
Crédito: Reprodução/instagram/@rockinriolisboa

Os 40 anos da primeira edição do Rock in Rio
Foto: Karolayne Pereira (Reprodução/Instagram)
Os 40 anos da primeira edição do Rock in Rio
Foto: Mari Lobo (Reprodução/Instagram)

Encerro com essas questões para próximas pesquisas: o estilo pessoal está perdendo esse lugar subversivo na vida dos jovens? Essa desconexão da Moda com outros movimentos culturais importantes nos trará consequências mais significativas? Pensemos juntos!

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