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Não há mais tempo

Alan Falciani





É de suma importância que quem leia este texto, independentemente de credo ou orientação política, pare e observe os dados que irei apresentar.


Estamos diante de um confronto de dimensões nunca vistas, mas há tempo mensuradas. Irei explicar em tópicos os diferentes motores que estão nos conduzindo ao abismo, a fim de que o quadro completo seja melhor absorvido.

 

Individualismo


Nosso sistema de produção nos coloca em competição uns com os outros, a partir do momento em que entramos nas escolas, competindo para ver quem tira as melhores notas, ou se torna o mais popular, o mais atlético, até o momento de conseguirmos emprego, competindo com milhares de outros desempregados, colocados lá propositadamente para que a oferta de mão de obra nunca esteja escassa.


O ser humano é um animal social, não somos criados para competir incessantemente, somos feitos para ajudar mutualmente, dar suporte, sermos cooperativos. Essa competitividade constante nos aliena e nos adoece, impedindo-nos de termos compaixão e empatia para com o próximo, pois não mais nos enxergamos no próximo. Enxergamos a nossa derrocada em cada olho que encontramos, vivendo num estado de medo permanente.

 

Trabalho


Nosso sistema de produção nos impede de comprar o que precisamos para viver, mal nos dando suporte para termos o necessário para não morrer. Ele foi desenhado dessa forma para termos o bastante para continuarmos vivos, mas não o bastante para rivalizar nossos mestres.


Esse sistema nos impede de pensar. Estamos tanto tempo dentro do trabalho que o trabalho se tornou nossa vida, exatamente por não termos os recursos necessários para respirar. Temos tempo para dormir e comer, mas apenas o bastante para trabalhar, mas não o bastante para notarmos os grilhões em nossos pescoços e nos rebelarmos. Ainda por cima, ele nos mantém fracos, já que não temos dinheiro para comprar comida boa, tempo para estudar e energia para praticar exercícios físicos.


Vendem para nós porcaria barata, isto é ração. Somos, portanto, alimentados omo porcos para o abate e nos usam como cavalos até não sobrar uma fibra de vida. Sugam-nos "dementadores" até não sobrar mais alma em nossos corpos. E quando quebramos, nos dão remédios bons o bastante para voltarmos ao trabalho, cobrando por eles, claro; mas nunca em condições corretas para uma vida plena.


Economia, geopolítica e ecologia

 

Economia - Faz pouco tempo que saiu uma manchete informando sobre a aceleração da dívida norte-americana para US$ 1 trilhão a cada 100 dias, chegando ao patamar total de US$ 34 trilhões em dívida pública, sendo esse dinheiro, em quase totalidade, impresso pelo Federal Reserve (FED), o Banco Central dos Estados Unidos da América (EUA).


A dívida porém não é apenas essa. Ainda há dívidas de empresas, estudantes, trabalhadores etc., somando um total de US$ 65 trilhões. O susto vem quando observamos a soma de dinheiro real nos bancos norte-americanos: US$ 20 trilhões.


“Mas, caro escritor, por que deveríamos nos preocupar com uma dívida de outro país?”


Vamos lá: quando os bancos norte americanos quebrarem no momento em que essa dívida vencer, tal fato irá escalonar no planeta inteiro. Espero que todos se lembrem da Grande Depressão de 1929 e da Bolha Imobiliária de 2008. Somemos a catástrofe de ambas e depois a dobremos. Talvez esse seja um resultado aproximado do desastre que nos espera.


“Mas a dívida ainda não foi cobrada, como você tem certeza de que isso vai acontecer?”


Isso já está acontecendo. O ano fiscal começa em abril e, desde janeiro de 2024, os mercados norte-americanos, japoneses, ingleses e principalmente os canadenses, onde trabalhadores com empregos bem pagos já não estão conseguindo comprar comida, estão começando a sentir o baque.


Felizmente, o Brasil não há de sofrer tanto. Motivo: recentemente, nosso sistema econômico foi desdolarizado em prol da moeda chinesa - o Yuan. Isso resultou em mais um passo para as atividades comerciais dos BRICS. No entanto, não será uma mera “marolinha”, como em 2008. Pessoas irão perder o emprego, aumentando o número dos que passam fome.

 

Geopolítica: além do aplicativo Huawei, agora o TikTok foi banido nos EUA, criando ainda mais tensão entre o governo estadunidense e o governo chinês. Segundo diversos estudos e análises (hoje, irei me basear no de Ray Dalio), junto à queda dos bancos norte-americanos, o poderio global de Tio Sam irá decair com ele. Mas os Estados Unidos são titãs e suas quedas, devastadoras, principalmente quando resolvem cair atirando.


Segundo Ray Dalio, com a queda dos EUA e a ascensão chinesa, teremos logo, em minha análise, ainda dentro desta década, um conflito violento e tremendo entre as duas potências. A China já demonstrou desinteresse e sabedoria em não entrar em conflitos armados, travando uma guerra fria econômica, começada pelos EUA, usando seus recursos para crescer como nação e criar pactos com outros países. O governo ianque, por sua vez, optou por coagir o mundo a seguir suas regras.


Quando o tombo acontecer, os chineses irão oferecer ajuda, não por serem bonzinhos, mas por ser vantajoso, e os EUA irão recusar, provocando mais conflitos e desencadeando uma possível terceira grande guerra.


Segundo diferentes análises, essa terceira guerra já está em curso faz tempo, e com a mesma tática desenvolvida na primeira Guerra Fria, ou seja, fazendo uso de conflitos "proxy", no qual grandes governos se enfrentam usando pequenos governos como marionetes e joguetes para seus interesses. Vide guerras ocorridas na Coreia, Vietnã, Rússia e Israel. Isso sem mencionar a onda de extrema-direita que está surgindo mundo afora. Digo e repito, o fascismo é o botão de emergência do capitalismo. Se o mundo se torna fascista, é porque a economia está falhando. Se a economia falha, pessoas perdem seus empregos, perdem suas casas e não são mais capazes de comer. Pessoas empobrecidas são pessoas famintas e furiosas, dispostas a seguir o primeiro generalíssimo em troca de comida. Não preciso lembrar o que houve da última vez que generalíssimos subiram ao poder, certo?

 

Ecologia: faz quase um século que estamos sendo alertados sobre o aumento das temperaturas e sua causa humana. Agora, estamos vivendo as consequências de nossa negligência.


Em setembro de 2023, em Curitiba, onde vivo, fez 30° C. No final de março deste ano, o calor ainda não havia nos abandonado.


Em Portugal, em pleno inverno, dava para se banhar nas praias. No México, choveu granizo do tamanho de bolas de beisebol. Aqui em Curitiba, quando não há secas, há tempestades carregadas e elétricas.


Segundo Carlos Nobre, climatologista e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), “devemos nos acostumar com as ondas de calor, pois elas não nos deixarão mais” e “precisamos parar o desmatamento da Amazônia até 2030 ou passaremos do ponto de não retorno”.


Se passarmos, a Amazônia irá rapidamente se tornar um deserto. Isso não quer dizer que não teremos mais oxigênio. Afinal, os pulmões do mundo são os oceanos. Isso quer dizer que se perderá a regularização natural das chuvas, tornando todo o território sul-americano num deserto.

 

Conclusão


Nossos governos não se importam conosco, mas sim com as corporações, fazendo tudo que for possível para mantê-las felizes e funcionando, enquanto as corporações nos escravizam em troca de poder.


Se nada for feito, iremos perder nossa fonte de água e comida.


Se nada for feito, iremos embarcar em mais uma guerra desnecessária.


Se nada for feito, o fim do mundo será entediante e assalariado.


Não há mais tempo. A hora de trabalhar acabou. Precisamos encher as ruas, mostrar nossa voz, não podemos nos calar.


Acordem de seu sono, galinhas, antes que se tornem "nuggets". Deixem esse estado alienado e dormente exploratório. Sei muito bem que é apavorante olhar para a realidade, mas é melhor do que andar de própria vontade em direção ao moedor. Rebelem-se!


Trabalhadores do mundo, uni-vos! Vocês não têm nada a perder a não ser seus grilhões. Rebelem-se ou morram!


Allan Falciani

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