LUZ, CÂMERA, CRÍTICA! — Por Manu Cárvalho
Nota: ★★★★½

Quando um clássico retorna, a expectativa é inevitável. O Auto da Compadecida 2, dirigido por Guel Arraes e Flávia Lacerda, resgata a magia do primeiro filme e traz de volta a dupla icônica Chicó e João Grilo, interpretados novamente por Selton Mello e Matheus Nachtergaele. Com humor afiado, crítica social e aquela esperteza nordestina que conquistou o Brasil, o filme chega como um presente para os fãs da cultura nacional.
O que esperar da nova aventura?
Se no primeiro filme João Grilo e Chicó já passaram por poucas e boas, nesta continuação eles enfrentam novos desafios e provações, sempre recorrendo à malandragem e à fé para sobreviver. A trama, inspirada mais uma vez no universo de Ariano Suassuna, expande a jornada dos protagonistas e nos leva de volta ao sertão nordestino, agora com novos personagens e situações inusitadas.
O roteiro equilibra nostalgia e frescor, trazendo piadas e referências clássicas do primeiro longa, mas sem se apoiar exclusivamente na repetição. A essência do humor popular continua intacta, misturando crítica social, sátira religiosa e diálogos rápidos que fazem o espectador rir e refletir ao mesmo tempo.

Selton Mello e Matheus Nachtergaele brilham novamente
A química entre Selton Mello e Matheus Nachtergaele continua impecável. A dupla carrega o filme com carisma e energia, provando que os anos só fortaleceram a dinâmica entre Chicó e João Grilo. Os personagens mantêm suas características marcantes: Chicó segue como o medroso contador de histórias, enquanto João Grilo continua sendo o mestre da trapaça e da sobrevivência.
Além deles, o elenco traz novos rostos e velhos conhecidos, como Fernanda Montenegro, que retorna ao papel da Compadecida, garantindo momentos de emoção e sabedoria. Os novos personagens acrescentam camadas à trama, enriquecendo a narrativa com diferentes perspectivas e conflitos.

Direção e estética encantadoras
Guel Arraes, que dirigiu o primeiro Auto da Compadecida, agora divide a direção com Flávia Lacerda. O resultado é uma obra visualmente rica, que mantém o estilo teatral e a estética nordestina vibrante. A fotografia realça as cores do sertão e a direção de arte reforça o caráter lúdico da história, misturando realismo e fantasia de maneira fluida.
A trilha sonora mantém a essência da cultura popular brasileira, com músicas regionais e arranjos que evocam o espírito do sertão. Os efeitos especiais, agora mais modernos, são usados de maneira sutil para ampliar o caráter fantástico da narrativa sem perder a identidade do filme original.
Humor, crítica e emoção
Assim como o primeiro Auto da Compadecida, a continuação não se limita a ser apenas uma comédia. O filme aborda questões sociais e filosóficas de maneira leve, mas provocativa. A desigualdade, a fé e a esperteza do povo nordestino continuam sendo os pilares da história, e o roteiro acerta ao atualizar esses temas para o contexto atual.
Além das risadas garantidas, O Auto da Compadecida 2 também emociona. A relação entre Chicó e João Grilo, marcada por amizade e lealdade, é o coração do filme, e os momentos mais tocantes reforçam a humanidade e a profundidade dos personagens.

Vale a pena assistir O Auto da Compadecida 2?
Sem dúvida! O Auto da Compadecida 2 mantém o espírito do original, entregando um filme divertido, emocionante e cheio de significado. A continuação respeita a obra de Ariano Suassuna e traz de volta a magia que fez do primeiro filme um dos maiores sucessos do cinema brasileiro.
Se você riu e se emocionou com as aventuras de Chicó e João Grilo no passado, prepare-se para reencontrá-los em grande estilo. Uma produção que valoriza a cultura nacional e prova que boas histórias nunca envelhecem.
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