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Autor: Silver Marraz
Nada controla mais um povo do que o medo que ele acredita ser seu, mas que alguém cuidadosamente ensinou a sentir. Por Silver D’madriaga Marraz O medo é uma emoção legítima. Ele protege, alerta, preserva. Mas, ao longo da história, poucas ferramentas foram tão eficazes para moldar comportamentos, silenciar sociedades e direcionar decisões quanto o uso político do medo. Ele opera no campo invisível da consciência, infiltra-se no cotidiano sem resistência e, quando naturalizado, torna-se um mecanismo de controle mais eficiente que qualquer arma ou decreto. A lógica é simples: indivíduos com medo pensam menos, questionam menos e se movem…
O 20 de novembro revela um país que celebra a consciência negra com discursos prontos, mas continua adormecido diante do racismo que pratica todos os outros dias. Por Silver D’Madriaga Marraz O Dia da Consciência Negra deveria ser um marco de lucidez coletiva. No entanto, ano após ano, ele parece funcionar mais como um espelho incômodo que revela a contradição profunda do país: celebra-se a luta, mas normaliza-se a opressão; homenageiam-se os mortos, mas negligenciam-se os vivos. A data expõe, de forma quase didática, a distância entre o discurso antirracista que se repete em público e as práticas que, no…
O que nos mata não é o trabalho — é a pressa de existir sem viver. Por Silver D’Madriaga Marraz Há um tipo de cansaço que não se resolve com sono, férias ou pausas estratégicas. Um cansaço que permanece, que se arrasta entre os dias como uma sombra silenciosa. Ele não nasce do esforço físico, mas do esgotamento emocional, das pressões sociais difusas, do excesso de vigilância e da insuficiência de sentido. E, diante desse desgaste que nos atravessa por dentro, a pergunta que se impõe é inevitável: estamos cansados porque trabalhamos demais — ou porque vivemos de menos? A…
Quando o mundo endurece, quem não aprende a sentir vira sobrevivente Por Silver D’Madriaga Marraz Há uma sensação silenciosa, quase epidêmica, de que a ternura está desaparecendo entre nós. Não se trata de nostalgia barata nem de saudosismo moralista, mas de um fato que se revela nos pequenos gestos do cotidiano: a pressa que atravessa conversas, o cansaço que esvazia relações, o medo de parecer frágil, a ironia como defesa permanente. Tornamo-nos especialistas em sobreviver, mas amadores em acolher. E, no entanto, é a ternura — essa habilidade quase artesanal de tratar o outro com delicadeza — que sustenta a…
Por que a sociedade contemporânea parece cada vez mais fascinada pelos algozes — e menos atenta às vítimas? Por Silver D’Madriaga Marraz Nos últimos anos, algo inquietante se instalou no imaginário coletivo: criminosos — reais, fictícios ou híbridos — passaram a ocupar o centro das narrativas culturais. Antes símbolos de rupturas éticas profundas, eles agora surgem envoltos em camadas dramáticas, trilhas sonoras envolventes, atuações brilhantes e discursos que despertam curiosidade, excitação e, perigosamente, admiração. O algoz virou protagonista; a violência, espetáculo; e o crime, produto consumível. Não se trata de negar a complexidade humana nem de reduzir a arte ao…
Quando o corpo desaba, é porque a alma já implorava por silêncio muito antes — o cansaço é a última oração que ninguém quis ouvir. Por Silver D’Madriaga Marraz Há um ponto em que a exaustão deixa de ser mero desgaste físico e se transforma numa revelação incômoda. O cansaço profundo — aquele que nenhuma noite de sono recompõe, que não se dissolve em feriados improvisados nem se intimida com mais uma xícara de café — é o encontro forçado entre corpo e consciência. É o instante em que as duas instâncias, normalmente separadas pela pressa, se alinham para dizer:…
Quando a política vira espetáculo, a verdade se torna detalhe — e o povo, plateia cativa de um show que nunca escreveu. Vivemos uma era em que o poder deixou de ser exercido e passou a ser performado. O político não governa: ele influencia. Não representa: ele engaja. Não debate: ele viraliza. A arena pública, antes espaço de conflito racional, virou palco, e o Estado converteu-se em uma espécie de indústria cultural refinada, onde a estética importa mais do que a ética, e a forma sufoca o conteúdo. A transformação é simples e perversa:o político virou celebridade e, como toda…
O preto que nega o próprio espelho também pratica o racismo disfarçado de redenção Por Silver D’Madriaga Marraz Nada é mais violento do que o preto que aprende a odiar em si o que o branco ensinou a rejeitar. Isto é um fato. O país que se diz mestiço nunca aprendeu a olhar a si mesmo sem disfarce. No Brasil, o racismo não se manifesta apenas na boca que ofende, mas no olhar que hierarquiza, na escola que apaga, na mídia que embranquece, e — o mais perverso — na mente de quem, para sobreviver, aprende a negar a própria…
A verdade surge da resistência, não da aparência, enquanto a consciência nasce do sofrimento como via de conhecimento Por Silver D’Madriaga Marraz Vivemos numa era obcecada pelo sucesso. Tudo o que não vence é descartado, tudo o que não brilha é esquecido. O fracasso, nesse cenário, tornou-se o grande inimigo da modernidade — o tabu silencioso de uma sociedade que só tolera vencedores. Mas talvez seja justamente nele, no território árido das perdas, que a verdade humana encontra seu abrigo mais honesto. O fracasso nos devolve ao que somos quando o aplauso cessa: vulneráveis, imperfeitos, reais. O sucesso é um…
O poder sempre fala alto demais para não ouvir o silêncio que denuncia sua culpa. Por Silver D’Madriaga Marraz O som da desigualdade não é o grito — é o contraste entre quem fala e quem não é ouvido. As periferias, condenadas à mudez institucional, sobrevivem entre vozes interrompidas e ecos que nunca retornam. Já as elites, acostumadas à reverberação de si mesmas, transformam qualquer sussurro em discurso, qualquer interesse em verdade. Vivemos numa sociedade em que o volume do poder define o valor da fala, e o silêncio dos esquecidos é confundido com consentimento. O silêncio das periferias não…
