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Autor: Silver Marraz
Vi ontem um bichoNa imundície do pátioCatando comida entre os detritos.Quando achava alguma coisa,Não examinava nem cheirava:Engolia com voracidade.O bicho não era um cão,Não era um gato,Não era um rato.O bicho, meu Deus, era um homem. As palavras de Manuel bandeira nos mostra que há momentos em que a realidade política ultrapassa o limite do absurdo e se torna uma espécie de espelho distorcido da nossa própria desumanidade. O episódio recente envolvendo a vereadora Talita Galhardo, que pediu publicamente para que moradores do Rio de Janeiro deixem de distribuir quentinhas às pessoas em situação de rua durante o Natal, é…
Que espécie de mundo permitimos construir quando levar um corpo à delegacia com as próprias mãos e ainda ser liberado é chamado de “justiça”? Por Silver D’Madriaga Marraz Há acontecimentos que parecem tão absurdos que, por alguns segundos, a mente tenta recusar a realidade. A notícia de que um motorista matou uma mulher trans, carregou o corpo até a delegacia e ainda assim saiu pela porta da frente como se tivesse apenas prestado um favor ao Estado é um desses episódios que revelam não apenas uma tragédia individual, mas a falência de algo muito maior: a falência moral de uma…
Quando a vida é tratada como procedimento: atenção médica, empatia e a responsabilidade que não pode falhar
Nenhuma tecnologia substitui a humanidade que deveria acompanhar cada toque de uma mão que cuida. Por Silver D’madriaga Marraz A morte do pequeno Benício Xavier, de apenas seis anos, após receber uma dose fatal de adrenalina em um hospital particular de Manaus, abriu uma ferida que o Brasil insiste em ignorar: o descaso, o despreparo e a desumanização que atravessam silenciosamente muitos espaços onde a vida deveria ser prioridade absoluta. Diante do corpo do filho, o pai pediu perdão. Perdão por tê-lo colocado na maca, por confiar que estaria seguro, por acreditar que a medicina nunca falha quando se trata…
Nenhuma sociedade se torna justa enquanto seus homens permanecem calados. O apelo do ministro Luiz Edson Fachin ecoa como um grito que atravessa séculos de violência normalizada: que o silêncio seja substituído pela denúncia. Mas esse pedido é muito maior do que uma frase judicial; é uma convocação moral. Uma convocação dirigida, sobretudo, aos homens que não se reconhecem como machistas, mas que também não se movimentam para enfrentar a cultura que mata mulheres todos os dias. O feminicídio não é um acidente, nem um desvio individual. É o resultado de um sistema inteiro que educa homens para o domínio…
A dor que não se vê também pede cuidado. Por Silver d’Madriaga Marraz Há gestos que parecem absurdos, atos que se tornam notícia pela estranheza, mas que carregam dores que ninguém viu. O rapaz que pulou na jaula da leoa não foi apenas um jovem que desafiou a lógica; foi, talvez, o retrato de uma doença que caminha pelas frestas da mente humana com passos invisíveis: a esquizofrenia silenciosa. Uma condição que não se revela de imediato, que não anuncia sua chegada com alarme, mas que se instala lentamente, esculpindo realidades paralelas dentro do cotidiano. Vivemos em uma sociedade que…
A POLÍTICA DO CUIDADO: o feminismo, a assistência social e a revolução silenciosa do trabalho invisível
Quando o cuidado não é visto, a humanidade adoece — e quando ele é valorizado, uma nova sociedade nasce. Por Silver D’Madriaga Marraz Há um território silencioso onde a vida acontece sem alarde. Nele, não há manchetes, prêmios ou aplausos. Há mãos que lavam, cozinham, acolhem, organizam, pensam, preveem, antecipam, sustentam e, quase sempre, renunciam. Esse território se chama cuidado. E por mais que as sociedades modernas tentem reduzi-lo a um favor doméstico, a um instinto feminino ou a uma obrigação moral, o cuidado é, na verdade, uma política — a mais profunda, estruturante e negligenciada política da existência humana.…
Quando a miséria não é um acidente, ela se torna uma estratégia de poder. Por Silver D’Madriaga Marraz A pobreza, no imaginário oficial, costuma ser tratada como falha individual, acaso histórico ou consequência natural de um sistema competitivo. Mas essa narrativa confortável, amplamente reproduzida, serve menos para explicar a realidade e mais para justificar a sua continuidade. A verdade mais incômoda — aquela que governos, elites econômicas e aparelhos ideológicos preferem evitar — é que a pobreza não apenas é produzida, como também é mantida e administrada. A pobreza, em grande medida, funciona como um projeto político. Há um poder…
A maior prisão do nosso tempo é acreditar que precisamos ser extraordinários para merecer existir. Por Silver D’Madriaga Marraz Vivemos numa época em que a simples ideia de ser “comum” parece um fracasso. As pessoas acordam todos os dias sentindo que precisam ser notáveis, brilhantes, marcantes — como se a existência tivesse virado um concurso permanente. E, silenciosamente, cresce dentro de nós um medo tão peculiar quanto devastador: o medo de não ser extraordinário. Esse medo não nasce espontaneamente. Ele é cultivado. Alimentado por métricas de curtidas, por gurus que vendem excelência, por algoritmos que celebram apenas extremos. Somos ensinados…
Quando a fé vira produto e o sagrado se transforma em narrativa de controle Por Silver D’Madriaga Marraz Há séculos, construiu-se ao redor de Jesus uma engrenagem teológica que não apenas distorce sua mensagem, mas a transforma em mecanismo de governo, disciplina e culpa. A figura de um homem que caminhava entre marginalizados e inconformados, desafiando as estruturas de poder, foi convertida em propaganda religiosa; um símbolo moldado para sustentar instituições, justificar hierarquias e criar dependências afetivas travestidas de devoção. O que a história institucionalizada chama de “sacrifício redentor” convém muito mais ao poder do que à espiritualidade. Não porque…
Quando a exaustão política encontra a plateia perfeita para o ressentimento. Por Silver D’Madriaga Marraz A democracia brasileira vive um cansaço que não é apenas institucional; é emocional, ético e simbólico. Um cansaço que atravessa cidadãos, corrói a confiança e alimenta um ambiente onde o ódio encontra mais audiência do que a lucidez. Não se trata apenas de desgaste político, mas de um fenômeno social que redefine a forma como nos relacionamos com o mundo: estamos cansados, e o cansaço tornou-se terreno fértil para a manipulação. Há décadas, o país vive uma sucessão de crises que parecem se sobrepor sem…
