No Rio de Janeiro, poucas experiências conseguem traduzir tão bem a ideia de pertencimento quanto a feijoada de sábado. É um ritual que atravessa gerações, reúne afetos, convoca memórias e reafirma identidades. Ao incorporar esse símbolo da cultura brasileira à sua programação fixa, o Hotel Nacional, em São Conrado, reposiciona seus sábados como um encontro entre tradição, gastronomia e vida cultural, em um dos cenários mais emblemáticos da cidade.
Todos os sábados, o Restaurante Sereia abre as portas para hóspedes e visitantes com uma proposta clara: transformar o almoço em experiência. A feijoada, servida em sistema de self service, é assinada pelo chef Flávio Agapito e respeita o sabor clássico que o carioca reconhece, mas sem ignorar a diversidade de públicos que hoje ocupam a mesa. Além da versão tradicional, há uma opção vegetariana pensada com o mesmo cuidado, ampliando o acesso e refletindo mudanças reais nos hábitos alimentares urbanos.
A experiência não se limita ao prato principal. Quem prefere variar encontra disponível o buffet regular do restaurante, com saladas, antepastos, pratos quentes e sobremesas, reforçando a proposta de acolhimento e liberdade de escolha. Em tempos em que a gastronomia também se afirma como linguagem social, o Hotel Nacional aposta na pluralidade como valor.
O samba ao vivo, presença fundamental no almoço, não entra como trilha decorativa. Ele ocupa o espaço com naturalidade, criando uma atmosfera que convida à permanência. O clima é descontraído, mas elegante, sem pressa, como pede o sábado carioca. É um samba que dialoga com o público, com o espaço e com a história do próprio hotel, projetado por Oscar Niemeyer e símbolo de uma arquitetura que pensava o Brasil como projeto de futuro.
Inserida no contexto do Carnaval, a iniciativa ganha ainda mais força. A feijoada sempre foi parte da engrenagem simbólica da festa, seja nas quadras das escolas de samba, nos encontros familiares ou nos restaurantes que entendem a comida como manifestação cultural. Ao ocupar esse lugar, o Hotel Nacional reafirma seu vínculo com a cidade e com as expressões populares que moldam o imaginário do Rio.
A programação acontece das 12h às 16h e inclui, além do buffet completo, batidas de limão e coco. As demais bebidas são cobradas à parte. O valor é de R$ 149 por pessoa, acrescido de 10%, e as reservas podem ser feitas pelo telefone (21) 97948-0837.
Mais do que uma refeição, o sábado no Hotel Nacional propõe uma pausa consciente. Em um Rio atravessado por contrastes, crises e reinvenções constantes, sentar à mesa, ouvir samba e compartilhar comida segue sendo um gesto político de afeto, convivência e resistência cultural. A pergunta que fica é simples e poderosa: em meio à pressa cotidiana, quanto espaço ainda damos para esses encontros que sustentam a vida em comunidade?

