Por Paula Amorim de Sá
A influenciadora digital Romagaga foi presa em flagrante neste sábado, 27 de dezembro de 2025, após uma confusão registrada na Rua Augusta, região central de São Paulo. Ela foi autuada pelos crimes de desobediência, desacato, ameaça, ato obsceno, embriaguez e invasão e permanecerá detida até a audiência de custódia, prevista para a manhã deste domingo, 28.
Segundo informações da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, a Polícia Militar foi acionada por volta das 10h para atender a uma ocorrência envolvendo a influenciadora em um hotel localizado na região da Rua Augusta. De acordo com o relato inicial, Romagaga afirmou que teria sido vítima de furto por parte do gerente do estabelecimento.
O gerente, por sua vez, apresentou versão distinta à polícia. Ele afirmou ter sido ameaçado pela influenciadora e relatou que Romagaga teria invadido áreas internas do hotel, tentando danificar uma porta e um computador durante a confusão.
O boletim de ocorrência aponta que, no decorrer do episódio, Romagaga abriu uma transmissão ao vivo nas redes sociais e ficou nua durante a confusão, ato descrito pelas autoridades como uma forma de protesto. Ainda conforme o registro policial, a influenciadora acusou o gerente do hotel de ter roubado seu iPhone, mas o aparelho foi posteriormente localizado com ela mesma, sendo utilizado para a realização da live.

Diante da pluralidade de infrações relatadas, a autoridade policial optou pela prisão em flagrante. Romagaga foi conduzida ao 78º Distrito Policial, no bairro dos Jardins, onde permaneceu detida à disposição da Justiça. O celular da influenciadora foi apreendido e encaminhado para perícia.
A defesa de Romagaga confirmou que ela permanecerá presa até a audiência de custódia. Em nota, o advogado Mateus Navarro Barbosa afirmou que pretende demonstrar ao magistrado que não há fundamentos legais para a manutenção da prisão. Segundo o defensor, a prisão seria desnecessária por ausência dos requisitos previstos no Código de Processo Penal, entre eles o risco à ordem pública.
Ainda segundo a defesa, serão adotadas medidas paralelas para apurar possíveis abusos ocorridos durante a ação policial. O advogado informou que pretende buscar a responsabilização civil, criminal e administrativa de agentes públicos ou de terceiros que, segundo ele, possam ter incorrido em abuso de autoridade ou homofobia. Conforme ressaltado na nota, o crime de homofobia é equiparado ao crime de racismo, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, sendo inafiançável e imprescritível.
Romagaga, que ganhou notoriedade nacional em 2010 por vídeos humorísticos e performáticos em homenagem a artistas como Lady Gaga e Preta Gil, é reconhecida como uma das primeiras mulheres trans a alcançar visibilidade no humor digital brasileiro. O caso segue sob apuração e novos desdobramentos devem ocorrer após a audiência de custódia.

