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Na década de 80 do século passado, a banda gaúcha de rock Engenheiros do Havaí fez muito sucesso com várias canções. Entre elas, “O Papa é pop”. À época, creio que a repercussão se deu ao ineditismo de se referir ao chefe supremo da Igreja Católica (então João Paulo II) como pop, termo que, pelo menos, a meu ver, era ligado ao rock, à juventude e à transgressão. E é curioso observar que, hoje em dia, com o olhar distanciado, chego à conclusão que o Papa da época tinha pouco a ver com ser pop.

Anos depois, a Igreja Católica brindaria o mundo com um Papa que, de fato, foi pop. Ainda mais quando paramos para pensar no significado de pop, que é abreviatura de popular. Sim. Nada mais popular do que, nas duas primeiras décadas do século 21, um Papa que abandonou a pompa até então destinada aos Sumos Pontífices e vestiu as sandálias franciscanas da humildade, da misericórdia, da compreensão, da justiça social… Enfim, do amor ao próximo!

Jorge Mario Bergoglio – ou melhor, Papa Francisco – foi este homem que primou pelo amor por todas as gentes, fosse falando, agindo, pregando, abençoando, visitando países, confabulando com diversos governantes… Na bagagem, temas como a preservação ambiental (“Hoje a natureza que nos rodeia já não é mais admirada, mas ‘devorada’”); acolhimento à comunidade LGBTQIAPN+ (“Se uma pessoa é gay e busca a Deus, quem sou eu para julgá-la?”, “Gays são filhos de Deus e têm o direito de constituir uma família); a advertência à questão da procriação sem planejamento ou propósito (“Católicos não precisam procriar como coelhos”); o combate ao capitalismo consumista (“O dinheiro deve servir e não governar”); o respeito aos profitentes de outras denominações religiosas (“Deus escolhe boas pessoas em todas as religiões”); o puxão de orelha que ele deu em Donald Trump, o qual, no primeiro mandato, falou em construir um muro que impedisse a entrada de imigrantes nos Estados Unidos (“Precisamos de pontes, e não de muros”, “Que não haja espaço para ódio, discriminação ou exclusão”) e a resposta certeira ao risível medo de comunismo que ainda vaga por mentes incautas e incultas (“Pra alguns sou comunista, mas o amor pelos pobres é o centro do Evangelho”).

Como espírita kardecista, estudo que um processo reencarnatório é cuidadosamente planejado pelos amigos espirituais (sim, todos nós os temos). Fico imaginando o carinho e a atenção com que a vinda de Bergoglio foi programada. Mesmo porque, conforme ventilado no meio espírita em 2013, ano de sua eleição como Papa, Jorge Mario Bergoglio é um espírito de escol que integra a equipe de Francisco de Assis desde o século 13, ou seja, quando o Poverello de Assis e seus seguidores marcaram para sempre a história da Igreja Católica e também da humanidade.

Aí, Bergoglio reencarna na Argentina, filho de imigrantes italianos. Tímido, de poucas palavras, apaixonado por tango e por futebol, o Papa pop que amou e será sempre amado por todos ingressou, ainda jovem, no seminário, estudou teologia, ciências humanas, literatura e psicologia. Nomeado sacerdote, foi também reitor da Universidade de San Miguel, no México, militou contra a ditadura argentina, viajou e morou por grande parte da Europa como sacerdote até chegar ao Vaticano, onde, graças à erudição, à simplicidade, à luta por justiça social e ao amor incondicional ao Cristo traduzido em amor ao próximo, deixou um legado de humanidade que nos inspirará para sempre.

O mundo material chora a morte do Papa Francisco, o mundo espiritual vibra com o retorno de um espírito que aproveitou cada minuto da passagem pela Terra para difundir o Evangelho de amor e ternura amando a todos, indistintamente.

Testemunhamos e usufruímos da passagem de um espírito elevado que deixou todos nós envoltos em ternura. Francisco nos cativou porque mostrou que todos podem ser como ele e que ser bom, simples, justo e generoso é um banquete a ser compartilhado por todos e entre todos. Que bom ter sido assim!

Marcelo Teixeira

igreja católica

Papa Francisco

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